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terça-feira, 31 de março de 2015

A verdadeira história das Cruzadas

Por Thomas F. Madden
Muitos historiadores têm tentado há já algum tempo esclarecer os factos em torno das Cruzadas visto que as más-concepções que são demasiado comuns. Para eles, este é um momento de ensinar sobre as Cruzadas no preciso momento em que as pessoas estão a prestar atenção.
Com a possível excepção de Umberto Eco, os estudiosos medievais não estão habituados a tanta atenção; nós temos a tendência de ser um grupo tranquilo (excepto durante as bacchanalia anuais que nós damos o nome de "International Congress on Medieval Studies" em Kalamazoo, Michigan, e logo aí), estando absorvidos a ler crónicas empoeiradas e a escrever estudos chatos e meticulosos que poucas pessoas irão ler. Imaginem, portanto, a minha surpresa quando no espaço de alguns dias após o 11 de Setembro, a Idade Média subitamente se tornou relevante.
Como um historiador das Cruzadas, deparei-me com a reclusão tranquila da torre de marfim a ser destruída pelos jornalistas, editores e apresentadores de talk-shows operando contra tempo, ansiosos por publicar uma notícia antes dos outros. O que foram as Cruzadas?, perguntaram eles. Quando foi que aconteceram?  Quão insensível foi o Presidente Bush ao usar o termo "cruzada" nos seus comentários?
Eu fiquei com a impressão que algumas das pessoas que me ligaram já sabiam as respostas para estas perguntas, ou pelo menos, pensavam que sabiam. O que elas realmente queriam era que um perito lhes dissesse o que eles já defendiam e já acreditavam. Por exemplo, fui frequentemente questionado que comentasse o facto do mundo islâmico simplesmente ter um mágoa contra o Ocidente. Não é a violência actual, insistiram eles, algo que tem as suas raízes no ataque brutal e não-provocado das Cruzadas contra o tolerante e sofisticado mundo muçulmano? Dito de outra forma, não será essa violência [islâmica] culpa das Cruzadas?
Isso é o que Osama bin Laden parece pensar. Nas suas várias actuações em vídeo, ele nunca se esquece de descrever a guerra Americana contra o terrorismo como uma nova Cruzada contra o islão. O ex-presidente Bill Clinton também apontou o seu dedo acusador às Cruzadas como causa primordial do actual conflito. No seu discurso na Universidade Georgetown, Clinton recontou (e embelezou) o massacre de Judeus depois dos Cruzados conquistarem Jerusalém em 1099, e informou o seu público que esse episódio é lembrado de forma amarga no Médio Oriente. (Não foi explicado o porquê dos muçulmanos ficarem perturbados com a matança de Judeus.)
Clinton foi atacado de forma agressiva nos editoriais jornalísticos por querer culpar tanto os Estados Unidos que estava disposto a regressar até às Cruzadas. Mas ninguém colocou em causa a premissa principal do ex-presidente.
Bem, quase ninguém.
Muitos antes de Bill Clinton as ter descoberto, há já muito tempo que os historiadores tentavam esclarecer os eventos em torno das Cruzadas. Estes historiadores não são revisionistas, tais como os historiadores Americanos que criaram a exibição em torno do Enola Gay, mas sim estudiosos mainstream a disponibilizar os frutos de várias décadas de trabalho académico cuidadoso e sério. Para eles, este é "momento de aprendizagem", uma chance de explicar as Cruzadas exactamente no momento em que as pessoas estão atentas. Esta atenção não vai durar muito tempo, e como tal, aqui vai disto.
Os equívocos em relação às Cruzadas são demasiado comuns; elas são geralmente caracterizadas como uma série de guerras santas contra o islão, lideradas por Papas sedentos de conflictos bélicos e combatidas por fanáticos religiosos, para além de supostamente serem o epítome do farisaísmo e da intolerância - uma mancha negra da história da Igreja Católica em particular, e da civilização Ocidental no geral.
Sendo uma raça de proto-imperialistas, os Cruzados deram início à agressão Ocidental a um Médio Oriente pacífico, e deformaram uma erudita cultura muçulmana, o que causou a que esta ficasse em ruínas. Para tomarmos conhecimento de variações deste tema, não é preciso olhar muito longe. Por exemplo, vejam o épico de três volumes de Steven Runciman com o nome de  History of the Crusades, ou vejam o  documentário BBC/A&E  com o título de, The Crusades, apresentado por Terry Jones. Ambos são historicamente terríveis mas maravilhosamente divertidos.
[O que a História diz sobre as Cruzadas]
Então, qual é a verdade em torno das Cruzadas? Os académicos ainda estão a averiguar algumas coisas em relação a isso, mas muito pode já ser dito com elevado grau de certeza. Para começar, as Cruzadas a Oriente foram de todas as formas possíveis guerras defensivas. Elas foram uma resposta directa à agressão muçulmana - uma tentativa de retornar ou criar uma linha defensiva contra as conquistas muçulmanas de terras Cristãs.
Os Cristãos do século 11 não eram fanáticos paranóicos; os muçulmanos queriam mesmo acabar com eles. Embora os muçulmanos possam ser pessoas pacíficas, o islão nasceu no meio da guerra e cresceu da mesma forma. Desde os tempos de Maomé, a forma de expansão do islão sempre foi a espada. O pensamento muçulmano divide o mundo em duas esferas: A Morada do islão [Dar ar-islam] e a Morada da Guerra [Dar al-Harb]. O Cristianismo - e, diga-se de passagem, todas as outras religiões não-islâmicas - não tem essas moradas.
Os Cristãos e os Judeus podem ser tolerados dentro dum estado muçulmano, sob o domínio muçulmano, mas no islão tradicional, os estados Cristãos e Judaicos têm que ser destruídos e as suas terras conquistadas.
Quando Maomé estava a levar a cabo uma guerra contra Meca no século 7, o Cristianismo era a religião dominante em termos de poder e de riqueza. Como a fé do Império Romano, ela espalhava-se por todo o Mediterrâneo, incluindo o Médio Oriente onde havia nascido. Portanto, o mundo Cristão era um alvo importante para os califas iniciais e aos olhos dos líderes muçulmanos, isto ficou assim durante os 1000 anos que se seguiram.
Com um vigor enorme, os guerreiros do islão atacaram o Cristianismo pouco depois da morte de Maomé. Eles foram muito bem sucedidos; a Palestina, a Síria e o Egipto - que foram a dada altura as áreas mais Cristãs do mundo - rapidamente caíram. Por volta do 8º século, os exércitos islâmicos haviam conquistado o Norte de África Cristão e a Espanha.
Por volta do século 11, os Turcos Seljúcidas conquistaram a Ásia Menor (a Grécia actual), que já era Cristã desde os dias de São Paulo. O antigo Império Romano, conhecido pelos historiadores modernos como o Império Bizantino, foi reduzido a pouco mais que a Grécia. Em desespero, o imperador de Constantinopla enviou um pedido de ajuda à Europa ocidental como forma de ajudar os seus irmãos e as suas irmãs do Este.
Foi isto que deu início às Cruzadas; elas não foram idealizadas por um Papa ambicioso ou por cavaleiros ["knights"] vorazes, mas sim programadas como resposta a mais de 400 anos de conquistas onde os muçulmanos já haviam capturado dois-terços do antigo mundo Cristão. A dada altura, a fé e a cultura Cristã teriam que se defender ou ser subsumida pelo islão. As Cruzadas foram guerras defensivas.
Durante o Concílio de Clermont, em 1095, o Papa Urbano apelou aos cavaleiros da Cristandade que empurrassem de volta as conquistas do islão. A resposta foi tremenda: muitos milhares de guerreiros fizeram o juramento da cruz, e prepararam-se para a guerra. Porque é que eles o fizeram? A resposta a essa pergunta tem sido muito equivocada. Com o aproximar do Iluminismo era normalmente afirmado que os Cruzados nada mais eram ignorantes sem-terra que se aproveitaram da oportunidade para pilhar uma terra distante. Os sentimentos de piedade, auto-sacrifício e amor a Deus manifestos pelos Cruzados obviamente que não eram para serem levados a sério visto que estes sentimentos [supostamente] nada mais foram que uma fachada para intenções mais sombrias.
Durante as últimas duas décadas, estudos às cartas-régias com o apoio informático têm demolido essa invenção; os estudiosos descobriram que os cavaleiros cruzados eram, de maneira geral, homens ricos com bastantes terras suas na Europa. Mais mesmo assim, eles voluntariamente abdicaram de tudo para levar a cabo a missão sagrada. Ser um cruzado não era barato; até mesmo os senhores ricos poderiam empobrecer rapidamente (e com eles as suas famílias) ao tomarem parte numa Cruzada.
No entanto, eles avançaram com isso não porque esperavam algum tipo de riqueza material (algo que muitos deles já tinham) mas sim porque esperavam amontoar um tesouro onde onde a traça e a ferrugem não consomem [Mateus 6:19]. Eles estavam bem conscientes da sua natureza pecaminosa e desejosos de tomar parte nas dificuldades da Cruzada como um acto de penitência, de caridade e de amor.
A Europa encontra-se cheia de milhares de cartas-régias medievais atestando para este sentimento - cartas onde estes homens ainda nos falam, se nós prestarmos atenção. Claro que eles não se opunham à captura do saque se isso fosse possível. Mas a realidade dos factos é que as Cruzadas eram um mau sítio para se obter lucro. Algumas poucas pessoas enriqueceram, mas a largam maioria veio sem nada.
Papa_Urbano_IIO Papa Urbano II deu aos Cruzados dois objectivos, e esses objectivos mantiveram-se centrais para as Cruzadas no Oriente durante séculos. O primeiro era o de salvar os Cristãos do Este. Tal como o seu sucessor, Papa Inocêncio III, mais tarde escreveu:
Como é que um homem que ama o seu próximo segundo os preceitos divinos, sabendo que os Cristãos seus irmãos na fé e no nome, são retidos pelos pérfidos muçulmanos em reclusão estrita, e subjugados pelo jugo mais pesado da servidão, não se dedica à missão de os livrar? … É por acaso que vocês não sabem que muitos milhares de Cristãos se encontram escravizados e aprisionados pelos muçulmanos, torturados com tormentos inumeráveis?
“Ir para uma Cruzada,” alegou correctamente o Professor Jonathan Riley-Smith, era entendido como um "gesto de amor" - neste caso, amor pelo próximo. A Cruzada era vista como uma missão de misericórdia como forma de corrigir uma mal terrível. Tal como o Papa Inocêncio III escreveu aos Cavaleiros Templários:
Vocês executam as obras das palavras do Evangelho, "Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos."
O segundo objectivo era o da libertação de Jerusalém e de outros locais tornados santos pela Vida de Cristo. A palavra "cruzada" é uma palavra moderna; os Cruzados Medievais olhavam para si como peregrinos, levando a cabo actos de justiça a caminho do Santo Sepulcro. A indulgência da Cruzada que eles recebiam estava canonicamente relacionada com a indulgência da peregrinação. O objectivo era frequentemente descrito em termos feudais. Apelando para a Quinta Cruzada em 1215, Inocêncio III escreveu:
Levemos em consideração, meus queridos filhos, que se algum rei temporário fosse lançado para fora dos seus domínios, e talvez capturado, não iria ele, depois de ver restaurada a sua  liberdade cristalina, e o tempo tivesse chegado para que ele executasse um olhar justo sobre os seus vassalos, classificá-los de desleais e traidores a menos que eles não só tivessem comprometido as suas posses mas também as suas pessoas para o libertar? Semelhantemente, não irá Jesus Cristo, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, cujos servos deles vocês não podem negar ser, que uniu a vossa alma com o vosso o corpo, que vos remiu com o Seu Precioso Sangue .... vos condenar pelo vício da ingratidão e pelos crime de infidelidade, se por acaso vocês negligenciarem prestar-Lhe ajuda?
A reconquista de Jerusalém, portanto, não era colonialismo mas sim um acto de restauração e de declaração aberta de amor por Deus. Os homens medievais sabiam, obviamente, que Deus tinha o Poder para restaurar Ele mesmo Jerusalém - de facto, Ele tinha o poder para restaurar todo o mundo para o Seu governo. Mas tal como São Bernardo de Clairvaux pregou, a Sua recusa em fazer as coisas assim eram uma bênção para o Seu povo:
Volto a dizer, consideremos a bondade do Todo Poderoso e levemos em conta os Seus planos de misericórdia. Eles coloca-Se sob a vossa obrigação, ou melhor, finge que faz isso, de modo a que Ele vos possa ajudar a satisfazer as vossas obrigações para com Ele... Eu qualifico de abençoada a geração que pode agarrar uma oportunidade de tão rica indulgência como esta.
É frequentemente assumido que o propósito central das Cruzadas era o de converter à força o mundo islâmico; nada poderia estar mais longe da verdade. Do ponto de vista dos Cristãos Medievais, os muçulmanos eram os inimigos de Cristo e da Sua Igreja. Era a função dos Cruzados derrotá-los e levar a cabo actos defensivos contra eles. Nada mais. Os muçulmanos que viviam em terras conquistas pelos Cruzadas eram geralmente permitidos que retivessem as suas posses, o seu modo de vida, e sempre a sua religião.
De facto, durante a história do Reino Cruzado de Jerusalém, o número de habitantes muçulmanos era superior ao número de Católicos. Foi só a partir do século 13 que os Franciscanos deram início aos esforços de conversão entre os muçulmanos, mas estes foram na sua maioria infrutíferos e, por fim, abandonados. De qualquer das formas, tais esforços consistiam na persuasão pacífica e não em esforços com base na ameaça de violência.
As Cruzadas foram guerras, e como tal, seria um erro caracterizá-las como algo mais que piedade e boas intenções. Tal como em todas as guerras, a violência foi brutal (embora não tão brutal como as guerras modernas). Houve percalços, asneiras, e crimes. Estes são normalmente muito bem lembrados nos dias actuais.
Durante os dias iniciais da Primeira Cruzada, em 1095, um indesejável grupo que se encontrava entre os Cruzados, liderado pelo Conde Emicho de Leiningen, atravessou o Reno, roubando e assassinando todos os Judeus que conseguiram encontrar. Sem sucesso, os bispos locais tentaram colocar um ponto final na carnificina.
Aos olhos desses guerreiros, os Judeus, tal como os muçulmanos, eram inimigos de Cristo, e como tal, matá-los e ficar com as suas posses não era visto com maus olhos. De facto, eles viam isso como um acto justo uma vez que o dinheiro dos Judeus poderia ser usado para financiar a Cruzada para Jerusalém.
Mas eles estavam errados e a Igreja condenou de modo firme os ataques dirigidos aos Judeus. Cinquenta anos mais tarde, quando a Segunda Cruzada estava a ser preparada, São Bernardo pregava frequentemente que os Judeus não deveriam ser perseguidos:
Perguntem a qualquer pessoa que conheça as Sagradas Escrituras o que ele encontra profetizado sobre os Judeus no Livro dos Salmos: “Não para a sua destruição eu oro", diz o Salmo. Os Judeus são para nós as palavras vivas das Escrituras ,visto que eles nos lembram sempre o que o Nosso Senhor sofreu.... Sob os príncipes Cristãos, eles suportam um cativeiro severo mas "eles esperam o momento da sua libertação."
Mesmo assim, um Cisterciense , companheiro e igualmente monge, chamado Radulf agitou as pessoas contra os Judeus do Reno, apesar das inúmeras cartas de Bernardo a exigir que ele parasse. Por fim, Bernardo foi forçado a ir ele mesmo para a Alemanha, onde se encontrou com Radulf, enviou-o de volta para o seu convento, e colocou um ponto final das massacres.
É normalmente dito que as raízes do Holocausto podem ser vistas nestes pogroms medievais. Até pode ser que sim. Mas se isto é assim, essas raízes são muito mais profundas e muito mais difundidas que as Cruzadas. Os Judeus foram mortos durante as Cruzadas, mas o propósito das Cruzadas não era matar Judeus. Pelo contrário, Papas, bispos e pregadores deixaram bem claro que os Judeus da Europa não deveriam ser perturbados. Numa guerra actual, chamamos a estas mortes de "danos colaterais". Mesmo com as tecnologias modernas, os Estados Unidos mataram mais inocentes com as nossas guerras do que as Cruzadas alguma vez poderiam. Mas ninguém iria alegar que o propósito das guerras Americanas é matar mulheres e crianças.
Independentemente da forma que se olhe para ela, a Primeira Cruzada foi um tiro no escuro; não havia líder, não havia linha de comando, não havia linhas de abastecimento e nem uma estratégia detalhada. Ela apenas era um conjunto de milhares de guerreiros a marchar bem para dentro do território do inimigo, unidos por uma causa comum. Muitos deles morreram, quer tenha sido através da doença ou da fome.
A Primeira Cruzada foi uma campanha dura, uma que parecia sempre estar à beira do desastre, no entanto ela foi milagrosamente bem sucedida. Por volta de 1098 os Cruzadas haviam restaurado a Niceia e a Antioquia ao domínio Cristão. A alegria da Europa encontrava-se desenfreada; parecia que o rumo da História, que havia elevado os muçulmanos para tal posição exaltada, estava agora a virar.
Mas não estava.
Quando pensamos na Idade Média, é fácil olhar para a Europa para aquilo que ela se tornou e não naquilo que ela era. O colosso do mundo medieval era o islão e não a Cristandade. As Cruzadas são interessantes principalmente porque elas foram uma tentativa de contrariar essa tendência, mas em cinco séculos de cruzadas, só a Primeira Cruzada conseguiu retornar de forma significativa o progresso militar islâmico. A partir daí, foi sempre a cair [para a Europa].
Quando o Condado Cruzado de Edessa caíu para as mãos dos Turcos e Curdos em 1144, houve, na Europa, uma vaga de fundo enorme em apoio para uma nova Cruzada. Esta foi liderada por Luis VII de França e Conrado III da Alemanha, e pregada pelo próprio Bernardo. Ela foi um fracasso total. A maior parte dos Cruzados foi morta durante o percurso e aqueles que sobreviveram até Jerusalém, pioraram as coisas atacando Damasco muçulmana, que havia sido previamente uma forte aliada dos Cristãos.
No seguimento deste desastre, os Cristãos Europeus foram forçados a aceitar não só o crescimento contínuo do poder muçulmano, mas a certeza de que Deus estava a castigar o Ocidente pelos seus pecados. Movimentos piedosos leigos emergiram por toda a Europa, enraizados no desejo de purificar a sociedade Cristã de modo a que ela pudesse ser mais bem sucedida no Este.
Devido a isto, levar a cabo uma Cruzada na parte final do século 13 tornou-se portanto um esforço total de guerra. Todas as pessoas, independentemente da pobreza ou fraqueza, foram chamadas a ajudar. Pediu-se aos guerreiros que sacrificassem a sua riqueza e, se fosse preciso, as suas vidas na defesa do Este Cristão. A nível doméstico, os Cristãos foram chamados para apoiar as Cruzadas através da oração, do jejum e das esmolas.
Mas mesmo assim, os muçulmanos cresceram em força. Saladino, o grande unificador, havia forjado o Médio Oriente islâmico numa única entidade, ao mesmo tempo que pregava a jihad contra os Cristãos. Por volta de 1187, na Batalha de Hattin, as suas forças derrotaram as forças combinadas dos Reino Cristão de Jerusalém e capturaram a preciosa relíquia da Santa Cruz. Indefensáveis, as cidades Cristãs começaram a render uma a uma, culminando na rendição de Jerusalém no dia 2 de Outubro. Só uma pequena lista de portos se manteve firme.
A resposta foi a Terceira Cruzada, liderada pelo Imperador Frederico I Barbarossa do Império Alemão, e pelo Rei Ricardo I Coração de Leão. Qualquer que seja a forma que esta Cruzada seja analisada, ela foi um empreendimento enorme, embora não tão grandiosa como os Cristãos haviam desejado. O envelhecido Frederico afogou-se quando atravessava um rio montado no seu cavalo, e consequentemente, o seu exército regressou para casa antes de chegar à Terra Santa.
Filipe e Ricardo vieram de barco, mas as suas lutas incessantes apenas acrescentaram mais problemas à já de si situação divisiva na Palestina. Depois de reconquistar Acre, o rei de França regressou para casa, onde ele ocupou o seu tempo com a repartição das posses Francesas de Ricardo Coração de Leão. A Cruzada, portanto, ficou totalmente sob a responsabilidade de Ricardo.
20 Ricardo_Coracao_LeaoUm guerreiro talentoso, um líder dotado, e um táctico soberbo, Ricardo levou as forças Cristãs a vitória atrás de vitória, eventualmente reconquistando toda a costa. Mas Jerusalém não era na costa, e depois de duas tentativas abortadas de assegurar linhas de abastecimento para a Cidade Santa, Ricardo por fim desistiu. Prometendo um dia regressar, ele fez um pacto de tréguas com Saladino que assegurava paz na região e acesso livre a Jerusalém por parte de peregrinos desarmados. Mas isto foi um remédio difícil de engolir. O desejo de restaurar Jerusalém para o domínio Cristão, e re-obter a Verdadeira Cruz, permaneceu intenso por toda a Europa.
As Cruzadas do 13º Século foram maiores, com melhor financiamento, e com melhor organização, mas também elas falharam.
A Quarta Cruzada (1201-1204) caiu por terra quando se deixou seduzir pela rede da política Bizantina, que os Ocidentais não entendiam na plenitude. Eles fizeram um desvio para Constantinopla como forma de dar o seu apoio a um pretendente imperial que lhes prometeu recompensas e apoio para a Terra Santa. Mas mal ele se encontrou no trono dos Césares, o seu benfeitor descobriu que ele não conseguiria pagar o que havia prometido.
Traídos, portanto, pelos seus amigos Gregos, em 1205 os Cruzados atacaram, capturaram e saquearam de modo brutal a cidade de Constantinopla, a maior cidade Cristã do mundo. O Papa Inocêncio III, que havia previamente excomungado toda a Cruzada, condenou fortemente os Cruzados, mas não havia muito que ele poderia fazer.
Os eventos trágicos de 1204 fecharam uma porta de ferro entre os Católicos Romanos e os Gregos Ortodoxos  - porta essa que nem o actual [ed: na altura em que o artigo foi escrito] Papa João Paulo II tem sido incapaz de reabrir. É uma ironia terrível que as Cruzadas, que eram um resultado directo do desejo Católico de salvar o povo Ortodoxo, tenham afastado ainda mais os dois grupos - e talvez  irrevogavelmente.
As restantes Cruzadas do 13º Século não fizeram muito melhor. A Quinta Cruzada (1217-1221) capturou durante pouco tempo Damietta no Egipto, mas os muçulmanos eventualmente derrotaram o exército e reocuparam a cidade.
São Luis XI de Fança liderou duas Cruzadas durante a sua vida. A primeira também capturou Damietta, mas Luís foi rapidamente superado pelos Egípcios e forçado a abandonar a cidade. Embora Luís tenha estado na Terra Santa durante vários anos, gastando livremente em obras defensivas, ele nunca atingiu o seu desejo mais profundo: libertar Jerusalém. Por volta de 1270 ele era um homem mais velho quando liderou outra Cruzada contra Tunis, onde morreu com uma doença que devastou o seu acampamento militar.
Depois da morte de Luís, os impiedosos líderes maometanos Baibars e Qalawun levaram a cabo uma jihad brutal contra os Cristãos na Palestina. Por volta de 1291, as forças muçulmanas haviam sido bem sucedidas na matança ou na erradicação do último dos Cruzados, e desde logo, apagando o Reino Cruzado do mapa. Apesar de numerosas tentativas e de muitos outros planos, as forças Cristãs nunca mais conseguiram obter um ponto de apoio na região até ao século 19.
Seria de pensar que três séculos de derrotas Cristãs tivessem azedado os Europeus contra a ideia das Cruzadas, mas nada disso aconteceu. De qualquer forma, eles não tinham outra alternativa.
Por volta dos séculos 14, 15 e 16, os reinados muçulmanos estavam a ficar mais - e não menos - poderosos. Os Turcos Otomanos não só conquistaram os seus companheiros muçulmanos, unificando ainda mais o islão, mas continuaram a avançar para o ocidente, capturando Constantinopla e mergulhando profundamente bem dentro da Europa.
Por volta do século 15, as Cruzadas já não eram obras de misericórdia para com pessoas distantes, mas tentativas desesperadas de sobrevivência do último reduto do Cristianismo. Os Europeus começaram a ponderar a possibilidade real do islão poder finalmente atingir os seus objectivos de conquistar todo o mundo Cristão. Um dos maiores best-sellers da altura, The Ship of Fools, por parte de Sebastian Brant, deu voz a este sentimento num capítulo com o título de “Of the Decline of the Faith”:
Our faith was strong in th’ Orient,
It ruled in all of Asia,
In Moorish lands and Africa.
But now for us these lands are gone
‘Twould even grieve the hardest stone….
Four sisters of our Church you find,
They’re of the patriarchic kind:
Constantinople, Alexandria,
Jerusalem, Antiochia.
But they’ve been forfeited and sacked
And soon the head will be attacked.
Suleiman_MagníficoClaro que isto não aconteceu, mas quase aconteceu. Por volta de 1480, o Sultão Mehmed II capturou Otranto como uma praça de armas para a sua invasão da Itália. Roma foi evacuada, mas o sultão morreu pouco depois, e os seus planos morreram com ele. Em 1529, Suleiman o Magnífico sitiou Viena. e se não fossem chuvas anormais que atrasaram o seu progresso e forçaram-no a deixar para trás a maior parte da sua artiilharia, é virtualmente certo que os Turcos teriam tomado a cidade. A Alemanha estaria, então, à sua mercê.
No entanto, ao mesmo tempo que estes encontros próximos estavam a ocorrer, outra coisas estavam a acontecer na Europa - algo sem precedentes na história humana. O Renascimento, nascido dos valores Romanos, piedade medieval, e um respeito único pelo comércio e pelo empreendedorismo, haviam levado a outros movimentos tais como o humanismo, a Revolução Científica e à Idade da Exploração.
Ao mesmo tempo que lutava pela sua vida, a Europa preparava-se para se expandir à escala global. A Reforma Protestante, que havia rejeitado o papado e a doutrina da indulgência, fez das Cruzadas algo impensável aos olhos de muitos Europeus; isto, consequentemente, deixou a luta para os Católicos. Em 1571, a Liga Santa, que era ela mesma uma Cruzada, derrotou a frota Otomana em Lepanto; no entanto, vitórias militares tais como esta eram raras.
A ameaça muçulmana foi economicamente neutralizada. À medida que a Europa cresceu em riqueza e poder, os outrora soberbos e sofisticados Turcos começaram a parecer retrógados e patéticos - não mais dignos duma Cruzada. O "Homem Doente da Europa" coxeou até ao século 20, quando finalmente expirou, deixando para trás a confusão actual que é o Médio Oriente.
Da segura distância de muitos séculos, é muito fácil olhar com repulsa para as Cruzadas. Afinal, a religião não é para se combater guerras. Mas não nos devemos esquecer que os nossos ancestrais medievais ficariam igualmente enojados com as nossas guerras infinitivamente mais destrutivas, combatidas em nome de ideologias políticas. No entanto, tanto o soldado medieval como o soldado actual lutam principalmente em prol do seu próprio mundo e tudo o que o compõe. Ambos estão dispostos a sofrer um sacrifício enorme, desde que seja em nome de algo que eles consideram válido - algo maior que eles mesmos.
Quer nós admiremos as Cruzadas ou não, é um facto que o mundo de hoje não existiria sem os seus esforços. A Fé antiga que é o Cristianismo, com o seu respeito pelas mulheres e antipatia pela escravatura, não só sobreviveu como floresceu. Sem as Cruzadas, era bem possível que ela tivesse seguido os passos do Zoroastrismo  - outra fé rival do islão - à extinção.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Estudo revela que os religiosos são mais felizes

Por Thomas D. Williams, Ph.D.

Segundo um novo estudo levado a cabo pelo Austin Institute for the Study of Family and Culture, existe uma forte correlação entre a religiosidade e a felicidade pessoal. O estudo apurou que as pessoas que frequentam os cultos religiosos semanalmente são duas vezes mais susceptíveis de se descrevem como "muito felizes" (45%) que as pessoas que nunca tomam parte de cultos religiosos (28%).

Reciprocamente, as pessoas que nunca tomam parte de cultos religiosos são duas vezes mais susceptíveis de declarar serem "muito infelizes" (4%) do que as pessoas que frequentem cultos todas as semanas.

Baseando-se em pesquisas prévias, este estudo extenso dos adultos Americanos tinha uma amostra representativa de 15,738 Americanos com idades entre os 18 e os 60 anos.

O estudo indicou que não só a frequência religiosa, mas também a auto-declarada "religiosidade" e a "afiliação" religiosa se encontravam também associadas aos níveis de felicidade. No entanto, dos três indicadores, a frequência aos cultos tinha a mais elevada correlação com uma maior felicidade.

O estudo apurou que níveis mais elevados de frequência religiosa "vaticinavam uma maior satisfação de vida," mesmo depois de se levar em conta o quão importante a fé religiosa era na vida das pessoas.

A correlação entre a religiosidade e a felicidade era óbvia, mas as explicações para a ligação e as causas relacionais possíveis eram menos óbvias. Uma teoria sugere que o apoio social que as comunidades religiosas podem disponibilizar pode ser um factor que contribua para uma maior felicidade, visto que "os Americanos religiosos eram mais susceptíveis de se envolverem nas suas comunidades."

No entanto, mesmo aqui o estudo apurou que "aqueles que frequentam cultos religiosos regularmente eram mais felizes que os seus pares, mesmo tendo estes níveis similares de envolvimento na comunidade."

Estas estatísticas que associam a felicidade com a religiosidade têm-se mantido com o passar do tempo. Uma pesquisa semelhante levada a cabo há 10 anos atrás obteve resultados semelhantes, levando os pesquisadores a extrair as mesmas conclusões.

Quando em 2004 o General Social Survey perguntou  aos Americanos, "Você qualifica-se como muito feliz, bastante feliz, ou infeliz?" as pessoas religiosas eram duas vezes mais susceptíveis que os não-religiosos de dizer que eles eram "muito felizes" (43%-21%).

As pessoas seculares, ou aquelas que nunca frequentem os cultos religiosos, eram maciçamente mais susceptíveis de dizer que não eram pessoas felizes (21%-8%). (..)



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

10 Problemas com o Ateísmo

Por Kirk Hastings
1) Cosmologia
Universo_Evidencias- Sabemos cientificamente que o universo teve um ponto inicial de existência - isto é, que não é eterno. Nada do que existe no mundo físico poderia ter surgido do nada. O Argumento Cosmológico de Kalam diz que tudo o que tem um início tem uma causa. e o universo teve um ponto inicial de existência o que implica que tem uma Causa. A melhor explicação para a origem do Universo é Deus
- Os cientistas já apuraram que tudo no universo está calibrado de forma precisa ("fine-tuned") para tornar a vida possível na Terra. O microscópio usado para sondar eléctrons revelou um mundo de complexidade irredutível que não de poderia ter construído por fases ou etapas graduais. A análise do ADN revela uma ordem altamente especificada e complexa que é o cunho do design inteligente. O design da vida biológica e o universo biocêntrico apontam para a realidade do Planeador Inteligente.
2) Moralidade
- Do onde se originaram os padrões morais? Se eles nada mais são que invenções humanas, então não existem genuínos padrões morais universais em relação ao bem e ao mal; a consequência disto é o relativismo moral. Mas as pessoas não acreditam que não existe um padrão moral supremo em relação ao bem e ao mal; pelo contrário, todos nós agimos e vivemos como se existisse um. Com Deus, nós temos um padrão real  e transcendental em torno do bem e do mal.
3) O Mal e o Sofrimento
- Os ateus frequentemente apelam para a presença do mal e do sofrimento como argumento contra Deus. Mas de onde é que os ateus obtiveram a sua ideia de "injustiça"? chamar algo de "mal" ou "injusto" requer conhecimento do bem e da justiça. De onde nos chegam estes padrões? Falhas e defeitos num mundo altamente ordenado e arquitectado é melhor explicado como resultado do mesmo ter sido entretanto estragado (tal como Génesis descreve).
4) Sábios Cristãos por toda a História.
- A História está repleta de Cristãos com elevada inteligência e que mantinham que o Cristianismo era verdadeiro e racional; o Cristianismo não só é uma fé cega racional, como também tem sido normal o mundo da filosofia académica sempre estar dominado por pensadores Cristãos.
5) Ateísmo e Niilismo
- O ateísmo inevitavelmente leva ao desespero e ao niilismo. O niilismo é definido como o acreditar que não existe significado nem propósito na vida e nem nas coisas que fazemos, e que não há bases para a moralidade e nem existem motivos racionais para a nossa existência. O ateísmo não tem nada de verdadeiramente positivo para oferecer ao mundo (a menos que "roube" algo da visão do mundo Cristã).
6) Razão e Inteligência
- Porque é que somos capazes de pensamentos racionais? Se a nossa mente é o produto de acidentes aleatórios e não Duma Inteligência Racional (Deus), porque é que as assim chamadas "capacidades racionais" são capazes de determinar o que é verdade? Se a nossa mente nada mais é que um produto da evolução irracional, então não existem motivos para se aceitar a precisão dos nossos processos mentais. Portanto, a visão ateísta do "conhecimento" é auto-refutante.
7) O argumento antropológico de Pascal
- Blaise Pascal (1623-1662) disse que o Cristianismo fornece a melhor explicação para o paradoxo da grandiosidade humana e da maldade humana, Os humanos têm uma enorme capacidade para o mal mas também para o bem. A doutrina Bíblica da queda é a que melhor explica a nossa enorme capacidade para o mal, ao mesmo tempo que o facto de termos sido criados à Imagem de Deus explica a grandiosidade humana.
8) O Senhor Jesus Cristo
- Dado que o Senhor Jesus Cristo é Uma Realidade Histórica (e existem evidências suficientes que confirmam esta posição), e o Novo Testamento é uma descrição acertada da Sua Vida (algo também confirmado pelas evidências), como é que o ateu O explica? Passados que estão 2000 anos, Ele ainda é a Vida mais inspiracional e influente que alguma vez existiu.
Será que Ele era um mentiroso? Se levarmos em conta a Sua honestidade escrupulosa, poucas pessoas avançaram com a hipótese de que Ele mentiu de forma consciente em relação à Sua Divindade. Será que Ele era lunático? Poucas pessoas iriam defender a tese de que Ele era mentalmente perturbado devido à beleza e perfeição espiritual dos Seus ensinamentos. Será que os eventos em torno da Sua Vida são lendas? Já foi confirmado que as descrições Bíblicas da Sua Vida foram escritas num curto espaço de tempo depois da Sua morte, e isto é muito pouco tempo para o aparecimento e estabelecimento de lendas em torno da Sua Vida. A única conclusão lógica é que Ele realmente foi Quem Ele disse que era.
9) A influência positiva do Cristianismo
- O Cristianismo está a crescer rapidamente pelo mundo. Até a sua existência, e a sua proliferação, passados que estão quase 2,000 anos, é um problema sério para os ateus.
- Os ateus adoram apontar para os erros dos Cristãos sempre que eles não seguem os ensinamentos do Senhor Jesus Cristo, mas eles ignoram a imensa influência positiva que os Cristãos exerceram por toda a História - em tais áreas como ajuda humanitária, artes, filosofia, reformas sociais, ciência, literatura, estabelecimento de hospitais, e muitas outras coisas. Muitos estudos demonstram que seguir o Cristianismo tende a aumentar a felicidade, a saúde mental e até a saúde física das pessoas.
10) O Ateísmo é um absurdo e é perigoso
Comunismo- Durante o século 20, mais de 100 milhões de pessoas foram mortas apenas e só por 52 líderes ateus, no entanto das 1,763 guerras registadas na The Encyclopedia of Wars, só 123 (7%)  foram motivadas pela religião - e 4% dessas guerras forma motivadas pela religião islâmica.
- A maior parte dos ateus alega que não acreditam em Deus devido à "ausência" de evidências em favor da Sua existência, no entanto Thomas Nagel, um filósofo, disse a certa altura que "Eu quero que o ateísmo seja verdadeiro.... Não se dá o caso de não acreditar em Deus.... Eu não quero que Deus exista".  O cientista Stephen Jay Gould explicou o ateísmo como sendo "superficialmente perturbador e aterrador ... [mas ele é] essencialmente emancipador e emocionante".
A verdadeira motivação da maior parte dos ateus é a pura rebelião contra Deus - e não a consequência concreta da análise das evidências - e o desejo de não terem que responder a ninguém pela sua falta de limites morais verdadeiro motivo (nem nesta vida, nem na próxima).
- James Spiegel, no seu livro "The Making of an Atheist", disse:
A queda para o ateísmo é causada por factores morais e psicológicos complexos, e não por uma assumida ausência de evidências em favor da existência de Deus. O ateu intencionalmente rejeita Deus, embora isto seja precipitado por indulgência moral e por um relacionamento danificado com a figura paterna. Logo, a escolha para o paradigma ateu é motivado por factores não-racionais, alguns dos quais são psicológicos, e outros são morais por natureza.
.....
Portanto, os motivos maiores para a rejeição da existência de Deus não são racionais mas emocionais, morais e psicológicos No entanto, todos nós temos livre arbítrio para aceitar ou rejeitar a Deus - e em última análise, seremos julgados por essa escolha.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Tatuagem: a marca da rebelião

De capa a capa, a Bíblia condena a rebelião. O Senhor Deus considerava a rebelião algo tão sério que comparou-a à feitiçaria. Convém lembrar que, segundo a Lei de Moisés, a feitiçaria era punida com a pena capital.
"Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria. . . " - 1 Samuel 15:23 
"A feiticeira não deixarás viver." -  Êxodo 22:18
E se há uma mensagem que é emitida de forma bem clara pelo uso da tatuagem, ela é rebelião (visto que através da História as tatuagens sempre simbolizaram rebelião). Todos os livros e artigos de tatuagens que eu pesquisei - tanto os novos como os antigos - afirmavam abertamente a rebelião deliberada simbolizada pelas tatuagens. Livro após livro, artigo após artigo, o tema era sempre o mesmo: as tatuagens eram actos de rebelião.
As citações que se seguem são todas de livros que aprovam o uso de tatuagens:
Uma vez que a arte corporal ainda não é mainstream, ter marcas no teu corpo, colocadas lá propositadamente, mostra ao mundo a tua natureza rebelde e pouco convencional. - (Jean-Chris Miller, The Body Art Book : A Complete, Illustrated Guide to Tattoos, Piercings, and Other Body Modifications, p. 32) 
Nesta cultura, a pessoa tatuada ainda é olhada como uma pessoa rebelde, como alguém que deu um passo para fora dos limites da sociedade normal.  - (Michelle Delio, Tattoo: The Exotic Art of Skin Decoration, p. 75) 
Sem dúvida alguma, as tatuagens não são socialmente aceites - (Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 179)
TATUAGEM: MARCA DE DESGRAÇA OU DA REPREENSÃO

Steve Gilbert, no seu popular livro pró-tatuagem, "Tattoo History: A Source Book," documenta que a palavra "tatuagem" significa ". . . marca de desgraça ou repreensão".
A palavra latina para ‘tatuagem’ era stigma e o significado original reflectia o que está nos dicionários modernos. Entre as definições de "stigma" listadas pelo  Webster encontram-se "picar com um instrumento pontiagudo", "marca distinta feita na carne dum escravo ou dum criminal", "marca da desgraça ou reprovação". - (Gilbert, Steve, Tattoo History: A Source Book, p. 15)
De facto, durante toda a sua história viscosa, a tatuagem foi usada para marcar criminosos, adúlteros, traidores, desertores, depravados e proscritos; a tatuagem era a temida marca da vergonha e do opróbrio.
Também o adultério era punido desta forma [com tatuagem] em algumas partes da Grã-Bretanha, e as personagens ruins [‘bad characters’] eram marcadas com as letras "BC". . . . Em 1717 a marcação foi abolida e substituída pela tatuagem .... da letra de "D", de "Desertor". - (Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 162)
TATUAGEM: A MARCA DA ABERRAÇÃO DO ESPECTÁCULO

Até cerca de 1900, a tatuagem era tão "fora do comum" dentro das civilizações normais que elas eram principalmente encontradas a assustar as pessoas nos "espectáculos de aberrações" dentro dos circos.
Por volta de 1897, a tatuação havia atingido os Estados Unidos, onde imediatamente se tornou numa atracção periférica circense.  - (Laura Reybold, Everything you need to know about the dangers of tattooing and body percing, p. 17) 
A popularidade da tatuação durante a parte final do século 19 e primeira metade do século 20 deve muito aos circos. - (Gilbert, Steve, Tattoo History: A Source Book, p. 135)
TATUAGEM: A MARCA DA INDECÊNCIA

As tatuagens são algo rebelde e nojentas para a maior parte das pessoas - eles comparam-nas com a pornografia imunda - "suja, indecente e subversiva para a moralidade".
Numa sociedade que considera a nudez como algo sujo, indecente e subversivo para a moralidade..... não é surpreendente que as decorações corporais estejam colocadas na mesma categoria. - (Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 179)
Até mesmo para os bárbaros e imorais Gregos e Romanos antigos, a tatuagem era considerada algo "bárbaro" e usado principalmente para marcar os escravos e os criminosos. Não deixa de ser interessante que eles tenham promovido a escravatura e outras formas de comportamento depravado, mas sentiam que as tatuagens eram bárbaras. O que é que isso nos diz da actual loucura entre os Cristãos do uso da tatuagem? Será que o próximo passo da depravação Cristã é a escravatura?
Os Gregos e Romanos não enveredavam pelo uso da tatuagem decorativa, que eles associavam com os bárbaros. Os Gregos, no entanto, aprenderam a técnica com os Persas, e usaram-na para marcar os escravos e os criminosos de modo a que eles pudessem ser identificados se por acaso tentassem escapar.
- (Gilbert, Steve, Tattoo History: A Source Book, p. 15)
TATUAGEM: A MARCA DA DEPRAVAÇÃO

Os criminosos, os viciados em drogas, os pervertidos sexuais e os bandidos sociais são a esmagadora maioria dos tatuados. Estatísticas antigas e recentes claramente revelam que as tatuagens são largamente usadas pelos rebeldes e pelos depravados.
Para além de ser uma forma de auto-destruição, as tatuagens selam o utente para fora da sociedade normal para sempre. Não é de surpreender que o maior número de tatuados no Japão se encontre no submundo, e que nos Estados Unidos as tatuagens sejam mais prevalecentes na cadeia ou entre as bandas de hard rock. - (Danny Sugerman, Appetite for Destruction: the Days of Guns N’ Roses, p. 40) 
Era uma antiga tradição Japonesa fazer uma tatuagem aos criminosos condenados. - (Laura Reybold, Everything you need to know about the dangers of tattooing and body percing, p. 15) 
Estudo levado a cabo junto dos jovens deliquentes da Costa Ocidental dos Estados Unidos concluiu que os delinquentes tatuavam-se mais do que os não-deliquentes, e a inclinação desenvolve-se numa idade jovem sem levar em conta o futuro. - (Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 113) 
Nas instituições criminais Borstal [ed: centro de detenção juvenil] estimou-se que a incidência de tatuagens pode atingir os 75%. - (Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 113)
No que toca às estatísticas, estudos compreensivos levados a cabo na Dinamarca revelaram as esclarecedoras estatísticas que se seguem:
  • 42% dos presos com penas de curta duração tinham tatuagens.
  • 60% dos presos com dificuldades de comportamentos tinham tatuagens.
  • 72% dos jovens homens presos tinham tatuagens.
  • 52% da população prisional tinha tatuagens. - (Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 114) O mesmo estudo levado a cabo na Dinamarca revelou também que menos de 4.8% da população geral tinha uma tatuagem. - (Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 114)
  • Investigações levadas a cabo pelos oficiais policiais chegaram à conclusão de que:
    [A] presença de tatuagens corporais ornamentais podem servir para indicar a existência de desordens de personalidade que são passíveis de se manifestarem como comportamento criminoso.  - (Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 117) 
    Portanto, muitas autoridades associam as tatuagens com agressividade, isto é, anti-autoritarismo, e não pode ser contestado que os gangues e os delinquentes, jovens ou não, exibem evidências maciças de agressividade. - (Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 114)
    De acordo com variados estudos, a tatuagem personifica e estabelece de tal forma uma "atmosfera rebelde" que um dos passos mais importantes para a reabilitação prisional é a remoção da tatuagem. Ainda de acordo com vários estudos sérios, a tatuagem está tão fortemente associada ao comportamento criminoso e à delinquência que, sem dúvida alguma, a mera decoração com uma tatuagem inerentemente contribui para um padrão de comportamento criminoso.
    Isto [a tatuagem] é um dos problemas por trás da reabilitação prisional. É por isso que alguns cirurgiões plásticos ligados ao trabalho prisional estão prontos para passar enormes quantidades de tempo a remover tatuagens, especialmente em zonas [corporais] expostas. (Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 181)
    Adolfo Loos, famoso arquitecto que estudou a ligação entre a tatuagem e o crime, flagrantemente disse o seguinte:
    Os homens tatuados que não se encontram presos ou são criminosos latentes ou aristocratas degenerados. Se alguém tem uma tatuagem e morre em liberdade, ele morre alguns anos antes de ter cometido assassinato. - (Adolf Loos, 1962 Ornament und Verbrechen. Samtliche Schriften, edited by F. Gluck. Vienna: Herold, 1962, cited at www.into-you.co.uk/contents/misc.htm)
    TATUAGEM: A MARCA DA PERVERSÃO
    Estudos levados a cabo por profissionais estabeleceram uma ligação entre o homossexualismo, o lesbianismo, e a perversão sexual grosseira.
    Para ser justo para aqueles que afirmam que a tatuagem está associada ao homossexualismo, investigadores duma Borstal feminina  na Nova Zelândia revelaram que das 60% [raparigas/mulheres] que se tatuavam, 90% admitiram comportamento lésbico durante o tratamento correctivo. Outras análises indicaram um rácio entre a agressividade e o número de tatuagens, e as raparigas mais tatuadas eram instáveis e inseguras, e tendiam a assumir o papel masculino nos seus encontros sexuais. - (Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 87) 
    Entre as condições [associadas à tatuagem] Raspa citou:  impulsividade, baixa auto-estima, falta de auto-controle, orientação [sic] homossexual, sadomasoquismo sexual, "bondage", fetichismo, bissexualismo, lesbianismo, personalidade antisocial, transtorno de personalidade borderline, transtorno de personalidade esquizóide, desordem maníaca e bipolar, e esquizofrenia.  - Raspa, Robert F. and John Cusack 1990, Psychiatric Implications of Tattoos, American Family Physician. 41: p. 1481 cited in Gilbert, Steve, Tattoo History: A Source Book, p. 159)
    TATUAGEM E TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE

    Os estudos indicam também que as tatuagens "auto-infligidas" estão frequentemente associadas com transtornos de personalidade, ambiente familiar problemático e tendência à auto-mutilação.
    As evidências indicam que é a mera presença de tatuagens, e não o seu conteúdo artístico, correlacionam-se com certos diagnósticos. Portanto, qualquer tipo de tatuagem pode ser vista como um sinal de aviso que tem que alertar o profissional para atentar para problemas psiquiátricos ocultos. - (Raspa, Robert F. and John Cusack 1990, Psychiatric Implications of Tattoos, American Family Physician. 41: p. 1483) 
    . . . . .  estudos sugerem que as pessoas com transtornos de personalidade frequentemente têm múltiplas tatuagens pequenas . . .  - (Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 115) 
    As pesquisas claramente indicam . . . . . que a presença de tatuagens é frequentemente um indicador dum ambiente familiar carente e perturbado. . . . - (Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 117)
    E AS TATUAGENS NOS DIAS DE HOJE?

    É bem provável que algumas pessoas sejam levadas a pensar algo do tipo:

    É verdade que as tatuagens estiveram associadas aos criminosos, à depravação e ao comportamento imoral, mas isso foi no passado. Actualmente as tatuagens são usadas por celebridades, atletas, políticos e homens e mulheres de negócios, para além de estarem a ser adornadas por revistas da alta moda e revistas desportivas. Não há qualquer tipo de dado que remotamente sugira que há uma ligação entre o comportamento criminoso e imoral com as tatuagens.

    Não, amigo, hoje em dia as tatuagens fazem parte da alta moda e são fixes. 

    A sério?

    Um estudo bastante compreensivo e uma análise também compreensiva das tatuagens foi recentemente publicada em Abril de 2001. . . O estudo foi levado a cabo pelo Dr. Timothy Roberts, pediatra na "University of Rochester Children’s Hospital". A análise detalhada foi feita a partir do estudo de 6072 jovens pessoas, com idades compreendidas dos 11 aos 21; este estudo analisou todo o país, vários grupos étnicos e todos os estratos sociais e económicos. Dito de outra forma, foi um estudo bastante meticuloso e modelos de dados fiáveis foram construídos a partir deste estudo. De facto, esta análise levada a cabo às tatuagens é provavelmente a mais compreensiva e a mais conclusiva alguma vez feita. 

    Segundo este estudo, os jovens tatuados de hoje são:
  • Quase 4 vezes mais susceptíveis de se envolverem em actividade sexual
  • Mais de duas vezes mais prováveis de ter problemas relacionados com o álcool
  • Quase duas vezes mais susceptíveis de usar drogas ilegais
  • Mais de duas vezes mais susceptíveis de expressar comportamento violento
  • Mais de duas vezes mais susceptíveis de abandonar a escola secundária.
  • Segundo o estudo, escreve o Dr. Roberts,
    A tatuagem nos adolescentes estava significativamente associada às relações sexuais, ao uso de substâncias, à violência, e a problemas escolares em análises bivariadas e regressões logísticas ajustadas para factores soció-demográficos e uso de substâncias por parte de amigos. - (Timothy A. Roberts, M.D. and Sheryl A. Ryan, M.D., Tattooing and High-Risk Behavior in Adolescents, Division of Adolescent Medicine, Strong Children’s Research Center, University of Rochester School of Medicine, Rochester, NY)
    O Dr. Roberts "conclui" no estudo que as tatuagens "têm fortes associações com comportamentos de alto-risco junto dos adolescentes". 
    Conclusão: Tatuagens permanentes têm fortes associações com comportamentos de alto-risco junto dos adolescentes. A presença de tatuagens durante a examinação dum adolescente deve levar a uma avaliação profunda em busca de comportamentos de alto-risco. - (Timothy A. Roberts, M.D. and Sheryl A. Ryan, M.D., Tattooing and High-Risk Behavior in Adolescents, Division of Adolescent Medicine, Strong Children’s Research Center, University of Rochester School of Medicine, Rochester, NY)
    Convém ressalvar que o Dr. Roberts tem uma tatuagem; antes do estudo, o Dr. Roberts admitiu que era opinião sua de que as pessoas tatuadas eram injustamente  estereotipadas. Um dos propósitos do seu estudo era o de provar isso mesmo. Depois dos resultados sobrepujantes, o Dr. Roberts admitiu:

    Fiquei mais do que surpreendido com os resultados.

    Depois da avaliação, o Dr. Roberts disse, "A tatuagem é um sinal que deve levar os médicos, os pais, os professores a perguntar mais sobre o comportamento dos adolescentes."

    MAS NÃO ERA [O SENHOR] JESUS UM REBELDE?

    Frequentemente oiço a linha de argumento "rebelde" por parte dos Cristãos:
    Ouve lá, jovem, eu sou um rebelde tal como Jesus. Pois é, pá, Ele era Um Rebelde. Ele foi o Verdadeiro Rebelde. Ele revoltou-Se contra o sistema, pá. Pois é, pá, Ele foi o Rebelde por excelência. E é por isso que eu uso tatuagens, pá. Estou a revoltar-me contra o sistema.
    O fortemente tatuado Sonny, da banda punk-rap-metal P.O.D. "Rastafarianismo-Christianity-E-Sabe-Se-Lá-Mais-O-Quê", alega que o Senhor Jesus foi o Primeiro Rebelde - e o "Primeiro Roqueiro Punk".
    Acreditamos que Jesus foi o [P]rimeiro [R]ebelde. Ele foi o [P]rimeiro roqueiro-punk a voltar-Se contra tudo o resto. - Sonny, P.O.D
    Vamos esclarecer uma coisa: O Senhor Jesus Cristo não foi um Rebelde. A Bíblia é bastante clara ao afirmar que Ele foi Obediente até à morte - até à morte na cruz:
    "e, achado na forma de Homem, humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até a morte, e morte de cruz." - Filipenses 2:8
    Até mesmo no Jardim do Getsémani, sabendo que todos os pecados perversos e abomináveis alguma vez cometidos na história seriam colocados sobre Ele (2 Cor 5:17), sabendo que Ele iria beber o cálice da ira de Deus, estando Ele em grande agonia e o Seu Suor sem pecado caía tal como se fossem grandes gotas de sangue - mesmo aí, graças a Deus, graças a Deus - Ele não Se revoltou. Ele orou ".... não se faça a minha vontade, mas a Tua". 
    42. dizendo: Pai, se queres afasta de Mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a Tua.
    43. Então Lhe apareceu um anjo do céu, que o confortava.
    44. E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que caíam sobre o chão.
    - Lucas 22:42-44
    Sim, o Senhor Jesus era "contra" o mundo e contra o sistema, mas isso foi assim porque o mundo estava em rebelião - e não o Senhor Jesus. Graças a Deus, Ele foi Obediente à Vontade de Deus. O mundo, a carne e o diabo revoltaram-se e encontram-se em rebelião contra a Palavra de Deus - tal como qualquer pessoa que se desgrace a si mesma com uma tatuagem proibida por Deus.

    Não estás feliz, caro amigo, com o facto do Senhor Jesus não ter sido um "Rebelde", que Ele foi Obediente à Vontade do Pai, e que Sonny dos P.O.D. está tão errado? Se o Senhor Jesus Se tivesse revoltado - por um segundo, com um pensamento e com um só pecado - não haveria esperança para a humanidade. Não estás contente com o facto do Senhor Jesus ter morrido por ti no Calvário?

    Já aceitaste o Senhor Jesus como teu Salvador?


    terça-feira, 17 de junho de 2014

    De que forma é que o Cristianismo é mais lógico que o ateísmo?

    Por John C. Wright

    Durante toda a minha vida fui ensinado que a Igreja Cristã era um bastião de insensatez, não só um berçário onde os homens acreditavam em superstições ao mesmo nível da crença no pai natal, mas também um asilo lunático onde os homens acreditavam que três era igual a um, e que os mortos poderiam voltar a viver. Devido a isto, não houve surpresa maior do que descobrir que não só a Igreja não era ilógica, como o ateísmo tinha uma pretensão mais fraca para a lógica e para a razão do que aquela que se dizia ter.

    Não estou a afirmar que o modelo ateísta é ilógico. Em vez disso, estou a alegar que a história Cristã do universo é melhor que a sua versão ateísta. Mais precisamente, eu afirmo também que o modelo Cristão é melhor que qualquer modelo ateísta visto que ele explica muito mais, mas com mais suposições parcimónicas.

    Existem muitos tipos de ateísmo, mas todos eles têm pontos em comum. Primeiro, um ponto comum é que nenhum dos vários tipos de ateísmo tem uma explicação racional para a natureza objectiva das regras morais. Nem todas as culturas concordam com o tipo de prioridade a dar às várias regras morais, mas uma coisa que é óbvia em relação à estas regras é que elas são objectivas. Quando a culpa nos atinge, ela não nos faz sentir como se tivéssemos traído uma questão de opinião ou gosto, mas sim como se tivéssemos ofendido uma lei. Quando a injustiça se faz presente, nós não acusamos aqueles culpados da transgressão de terem violado algo centrado numa opinião ou num gosto; nós apelamos sim a um padrão que esperamos que os outros saibam e reconheçam. Não conseguimos evitar.

    Em toda a experiência humana, tudo está aberto à dúvida, menos isto. Nenhum homem com uma consciência funcional pode escapar a este conhecimento. Isto é uma daquelas coisas que nós não conseguimos não saber. No entanto, os ateus estão totalmente à deriva quando tentam explicar a existência da moralidade objectiva. Não estou a qualificar os ateus de imorais, mas noto que eles não podem dar uma razão racional para justificar a moralidade.

    Dentro da cosmovisão ateísta, as leis morais ou são invenções humanas e são úteis para os seus propósitos contingentes, ou então são uma imposição dos mecanismos de sobrevivência Darwinianos que servem os propósitos do Gene Egoísta. Propósitos tais como a preservação da vida ou a felicidade são subjectivos, e desde logo, não são leis na sua essência. Quer elas sejam escolhidas pelos homens ou pela natureza, se as máximas morais são escolhidas apenas como formas tendo em vista um fim arbitrário, elas nada mais são que conveniências de expediente.

    Se eu evito matar e roubar apenas e só porque isso reduz as minhas probabilidades na lotaria da reprodução, então quando as circunstâncias surgirem onde o assassinato e o roubo aumentam as minhas probabilidades, que motivo pode um homem dar de modo a evitar que eu mate e roube? Se eu colocar de parte a mentira apenas e só porque isso causa em mim uma auto-satisfação de viver com um sentido de integridade, que motivo pode um homem comum me dar quando chegar o dia em que eu descubra que mentir me satisfaz mais ainda?

    Um segundo ponto comum é que nenhum ateísta de qualquer que seja a escola pode justificar a racionalidade do universo; isto é, nenhum ateu pode justificar o facto das abstracções da matemática e as coisas concretas da física combinarem de um modo tão perfeito. O ateu ou assume a racionalidade com um dado, ou assume que os processos do universo evoluíram o homem para pensar num procedimento chamado "lógica". Mas se um processo Darwiniano não-pensante formou o nosso processo de pensamento, não temos razões para assumir que o processo mental é verdadeiramente racional e não só uma auto-decepção útil.

    Mais uma vez, o ateísmo não admite qualquer tipo de causa ou efeito ou dimensão sobrenatural na vida, fazendo com que as questões filosóficas em torno da natureza da realidade, natureza da verdade, e a natureza da lógica se tornem suspeitas. Para o ateu, estas coisas não podem ser o produto dum decisão Divina; mas os processos naturais também não podem justificar a realidade, a verdade e a lógica. Semelhantemente, estes mesmos processos naturais não podem justificar a origem das leis da natureza, que, por definição, não podem ser mais antigas que o big bang*.

    Para além disso, existem bons motivos para não se ser egoísta. A teoria do Gene Egoísta não explica nada: sou demasiado egoísta para ouvir o meu gene egoísta a exortar-me para me sacrificar durante metade do meu tempo pelo meu filho, e um quarto do meu tempo pelo meu tio. E nem há qualquer tipo de esperança depois da morte que tornem racionais os actos de auto-sacrifício, heroísmo ou martírio. Não estou com isto a dizer que um ateu apanhado nos braços duma paixão ardente não possa dar a sua vida pela pessoa amada ou pela bandeira amada. O que estou a dizer que isto é um lapso de lógica, algo que ele não pode justificar [dentro do seu ateísmo].

    O Cristianismo forneceu ao Ocidente três conceitos gloriosos que o mundo pagão antes do Cristianismo, o mundo bárbaro fora da Cristandade, e o parasítico mundo Pós-Cristão, sustentando-se da Cristandade, não têm: o primeiro é o conceito de que o mundo é racional, o segundo é o conceito de que o tempo é linear, e o terceiro é o conceito de que a verdade pode ser conhecida. Os pagãos pensam que o mundo é gerido por deuses caprichosos, e os Pós-Cristãos pensam que o mundo não é gerido por ninguém, sendo nada mais que uma máquina irracional, talvez ordenada, mas sem propósito e sem significado.

    Um mundo racional não é possível em qualquer uma destas visões do mundo. O primeiro requer propiciações infinitas para seres espirituais totalmente arbitrários, e o segundo propõe uma vazio niilista onde os homens são abandonados, cada um deixado à sua vontade totalmente arbitrária.

    Os antigos Gregos bem como os modernos Hindus acreditam que o tempo é uma serpente a comer a sua própria cauda, e que todos os eventos se repetem de uma forma infindável, sem originalidade, mudança, processos, fim ou forma de serem evitados. Um número infindável de nascimentos antes deste nascimento estão no passado de cada homem, e um infinito número de mortes estão para além da sua morte.

    Das religiões pagãs, apenas o Budismo promete uma forma de escapar o círculo vicioso do tempo e ele é o estado de desprendimento e abnegação conhecido como Nirvana, que está mais perto do esquecimento tal como aqueles que acreditam no tempo circular podem imaginar. Este mesmo Budismo e os seus epigones modernos Ocidentais - teosofia, o movimento da Nova Era, as várias formas de misticismo - defendem que o mundo está eternamente para além da compreensão humana.

    No século 13 os maometanos rejeitaram a ideia Tomista de Deus como Ser capaz de conferir um poder de ordem inato e movimento à Sua criação. Para eles, todos os eventos ocorrem segundo a vontade de um absoluto e imediato Soberano, que não Se encontra limitado pela honra nem pela lógica a agir amanhã tal como Ele agiu hoje. Tudo ocorre porque Alá quer; o que significa que as coisas ocorrem sem motivo algum. O século 13 viu o final da confiança maometana na razão, e, desde logo, viu o fim das contribuições maometanos para o avanço da ciência, e, desde logo, viu o começo da estagnação que os acorrenta até aos dias de hoje.

    [ed: Para se saber mais sobre o mito da "civilização islâmica", ler este magnífico texto escrito por um erudito Assírio]

    O mundo pós-moderno é igualmente pós-racional. Se o mundo nada mais é que matéria em movimento, e os nossos cérebros mais não são que computadores cegamente forçados a seguir a programação imposta pelas forças naturais, não há motivo algum para acreditar que os nossos cérebros se conformam à verdade objectiva, e nem que essa verdade se quer exista. Para o pós-moderno, a alma humana é uma duna de areia unida por uma ímpeto caprichoso do vento, e que por acaso tem uma combinação auto-consciente mais complexa que o relógio do avô, mas que uma mudança de vento pode destruir de forma tão cega como a uniu.

    Longe de ser suprimida, a razão triunfa onde quer que a Igreja é triunfante. As grandes civilizações da China, da Índia e da América do Sul não tinham motivos para colocar de parte o uso da magia, e como tal, essas civilizações nunca limparam a vegetação rasteira da superstição que era necessário para permitir o crescimento da ciência. A Igreja medieval, longe de ser inimiga da ciência, foi a sua ama-seca; a Igreja foi inimiga da bruxaria e da astrologia, e suplantou-a.

    E um olhar para os séculos 20 e 21 revelam que onde quer que o Cristianismo recue, a ciência entra também em decadência. A Revolução Francesa guilhotinou Lavoisier; os secularistas do Nacional Socialismo da Alemanha criminalizaram o cepticismo à conclusão ordenada-pelo-Estado relativa à pseudo-ciência da eugenia Ariana, tal com Stalin o fez em relação à pseudo-ciência de Lysenko, tal como os secularistas modernos estão a tentar fazer em relação à pseudo-ciência do aquecimento global.

    Só dentro da cosmovisão Cristã é que a razão e a ciência florescem sem serem vítimas da superstição ou corrompidas pelas seitas - políticas ou não.

    Original: "Why Christianity is More Logical Than Atheism" - http://bit.ly/1kMUpDH

    * O big bang não está de acordo com as evidências científicas.

    quarta-feira, 4 de junho de 2014

    Será que os ateus são doentes mentais?

    Graças a duas pesquisas feitas há alguma tempo, tem sido propagado dentro dos círculos ateístas que "os ateus têm QIs mais elevados que os crentes". Isto pode ser verdade ou não, mas um problema com este argumento é que se aceitarmos as "diferenças médias de QI entre os grupos", entramos dentro de debates sinistros que os ateus Esquerdistas bien pensant podem não gostar assim tanto.

    Enveredemos então pela estrada da infelicidade. Deixemos de lado a métrica rudimentar do QI e olhemos para as vidas vividas pelos ateus e pelos crentes, e vejamos como ela se mede. Dito de outra forma, vejamos quem está a viver de forma mais inteligente. Quando fazemo isso, o que é que descobrimos? Descobrimos que quem está a viver uma vida mais inteligente são os crentes. Uma vasta gama de pesquisas, recolhidas durante as últimas décadas, demonstram que a fé religiosa é fisicamente e psicologicamente benéfica - e de uma forma espantosa.

    Em 2004 estudiosos da UCLA revelaram que os estudantes universitários envolvidos em actividades religiosas eram mais susceptíveis de ter uma melhor saúde mental. Em 2006 pesquisadores populacionais da Universidade do Texas descobriram que quanto mais a pessoa ia à igreja, mais tempo ela vivia. No mesmo ano pesquisadores da Universidade de Duke (EUA) descobriram que as pessoas religiosas têm um sistema imunitário mais forte que o das pessoas não-religiosas. Eles revelaram também que as pessoas que vão à igreja têm uma pressão arterial inferior ao das pessoas que não vão à igreja.

    Entretanto, em 2009 uma equipa de psicólogos de Harvard descobriu que os crentes que deram entrada no hospital com o quadril quebrado reportaram menos depressão,  menos presença nos hospitais, e podiam coxear mais além quando saíam do hospital - quando comparados com os semelhantemente aleijados descrentes.

    A lista continua. Nos últimos anos os cientistas revelaram que os crentes, quando comparados com os descrentes, tinham resultados melhores no cancro da mama, nas doenças coronárias, nas doenças mentais, com a SIDA e com a artrite reumatóide. Os crentes tinham até melhores resultados com a FIV [Fertilização in vitro]. De igual modo, os crentes reportaram também níveis de felicidade superiores, eram muito menos susceptiveis de cometer o suicídio, e lidavam melhor com os eventos stressantes. Os crentes tinham também mais filhos.

    Mais ainda, estes benefícios eram visíveis mesmo se ajustarmos as coisas de modo a levarmos em conta que os crentes são menos susceptíveis de fumar, beber ou ingerir drogas. E não nos podemos esquecer que os religiosos são mais simpáticos. Claramente, os religiosos dão mais dinheiro para a caridade que os ateus, que, segundo as mais recentes pesquisas, são os mais mesquinhos entre todos.

    Levando isto em conta, urge perguntar: quem são os mais inteligentes? Serão os ateus, que vivem vidas mais curtas, mais egoístas, mais atrofiadas e mais mesquinhas - frequentemente sem filhos - antes de se aproximarem, sem qualquer esperança, da morte envolvidos em desespero, e o seu inútil cadáver é amarrado e lançado numa vala (ou, se eles estiverem errados, eles vão para o Inferno)? Ou serão os religiosos, que vivem mais tempo, mais felizes, mais saudáveis, mais generosos, que têm mais filhos, e que morrem com dignidade ritualista, esperando serem recebidos por um Deus Benevolente e Sorridente?

    Claramente, os crentes são mais inteligentes. Qualquer pessoa que pense o contrário é doente mental. E digo isto de maneira literal visto que as evidências sugerem que o ateísmo é uma forma de doença mental. Isto prende-se com o facto da ciência mostrar que a mente humana está construída para a fé visto que evoluímos fomos criados para acreditar, e esse é um dos motivos cruciais que faz com que os crentes sejam mais felizes; as pessoas religiosas têm todas as suas capacidades mentais intactas, e estão a funcionar de forma plena como humanos.

    Logo, ser um ateu - tendo falta da vital capacidade da fé - deve ser vista como uma aflição, e uma deficiência trágica: algo análogo à cegueira. Isto faz com que Richard Dawkins seja o equivalente intelectual a uma pessoa amputada, agitando furiosamente as suas próteses no ar, gabando-se do facto de não ter mãos.


    Modificado a partir do original: "Are atheists mentally ill?"http://bit.ly/1jQEnZr