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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Os Filósofos de Deus e o mito da "Idade das Trevas"

Por Tim O'Neill
O meu interesse pela ciência Medieval foi largamente estimulado por um livro. Por volta de 1991, quando eu era um aluno de pós-graduação empobrecido e frequentemente esfomeado na Universidade da Tasmânia, dei com uma cópia do livro de Robert T. Gunther com o título de "Astrolabes of the World" - 598 páginas-fólio de astrolábios islâmicos, Medievais e Renascentistas meticulosamente catalogados, cheio de fotos, diagramas e listas estreladas, bem como uma vasta gama de outro tipo de informação.
Dei com ele, e de forma bem apropriada e não incidental, nos "Astrolabe Books" de Michael Sprod - no piso de cima de um dos lindos e antigos armazéns de arenito que se encontram alinhados num lugar com o nome de "Salamanca Place" (...). Infelizmente, o livro custava $200, o que por aquela altura era o equivalente ao que eu tinha para gastar durante o mês inteiro.
Mas o Michael já estava habituado a vender livros a estudantes empobrecidos, e devido a isso, não almocei e fiz um adiantamento de $10 e, durante vários meses, regressava todas as semanas para dar o mais que podia até que eventualmente consegui levá-lo para casa, embrulhado em papel castanho duma forma que só as livrarias Hobart se preocupam em fazer. Há poucos prazeres mais gratificantes do que aquele em que se tem nas mãos o livro que há já muito tempo se quer ler.
Filosofos_de_Deus_Gods_PhilosophersTive outra experiência igualmente gratificante quando, há algumas semanas atrás, recebi uma cópia do livro de James Hannam com o título de "God's Philosophers: How the Medieval World Laid the Foundations of Modern Science" ["Os Filósofos de Deus: Como o Mundo Medieval Estabeleceu os Fundamentos da Ciência Moderna"].
Há já alguns anos que brinco com a ideia de criar um site dedicado à ciência e à tecnologia Medieval como forma de tornar públicas as mais recentes pesquisas em torno do tópico, e também para refutar os mitos preconceituosos que caracterizam esse período como uma Idade das Trevas repleta de superstição irracional. Felizmente, hoje posso riscar essa tarefa da minha lista porque o suberbo livro de Hannam fez esse trabalho por mim, e em grande estilo.
A Idade das Trevas Cristã e Outros Mitos Histéricos
Um do riscos ocupacionais de se ser um ateu e um humanista secular que divaga por fórums de discussão é o de encontrar níveis assombrosos de ignorância histórica. Gosto de me consolar com a ideia de que muitas das pessoas que se encontram em tais fórums adoptaram o ateísmo através do estudo da ciência, e como tal, mesmo que essas pessoas tenham conhecimentos avançados em áreas tais como a geologia e a biologia, o seu conhecimento histórico encontra-se parado no nível secundário. Geralmente, eu costumo agir assim porque a alternativa é admitir que o entendimento histórico médio da pessoa comum, e a forma como a História é estudada, é tão frágil que se torna deprimente.
Logo, para além de ventilações regulares de mitos cabeludos tais como o da Bíblia ter sido organizada no Concílio de Niceia, ou do enfadonho disparate cibernético de que "Jesus nunca existiu!", ou também do facto de pessoas inteligentes estarem a propagar alegações pseudo-históricas que fariam com que até Dan Brown suspirasse com escárnio, o mito de que a Igreja Católica causou a Idade das Trevas, e que o Período Medieval foi um vazio científico, é regularmente empurrado com um carrinho-de-mão ferrugento para a linha da frente como forma de o expor por toda a arena.
O mito diz que os Gregos e os Romanos eram sábios e pessoas racionais que amavam a ciência, e que estavam à beira de fazer todo o tipo de coisas maravilhosas (normalmente, a invenção de máquinas a vapor de grande porte é inocentemente invocada) até que o Cristianismo chegou. O Cristianismo baniu, então, todo o conhecimento e todo o pensamento racional, e inaugurou a Idade ds Trevas.
Durante este periodo, diz o mito, a teocracia com punho de ferro, apoiada pela Inquisição ao estilo da Gestapo, impediu que fosse feita qualquer actividade científica, ou qualquer actividade de investigação, até que Leonardo da Vinci inventou a inteligência e o Renascimento nos salvou a todos das trevas Medievais.
As manifestações cibernéticas desta ideia curiosamente pitoresca, mas aparentemente infatigável, variam de quase atabalhoadas a totalmente chocantes, mas a ideia continua a ser uma daquelas coisas que "toda a gente sabe", e que permeia a cultura moderna.
Um episódio recente da série "Family Guy" exibiu o Stewie e o Brian a entrar num mundo alternativo futurista onde, foi-nos dito, as coisas eram avançadas desse modo porque o Cristianismo não havia destruído o conhecimento, dado início à Idade das Trevas, e impedido o desenvolvimento da ciência. Os escritores não sentiram a necessidade de explicar o significado das palavras de Stewie porque assumiram que toda a gente sabia.
Cerca de uma vez a cada 3 ou 4 meses em fórums tais como RichardDawkins.Net temos algumas discussões onde sempre aparece alguém a invocar a "Tese do Conflicto". Isso evolui para o normal ritual onde a Idade Média é retratada como um deserto intelectual onde a humanidade se encontrava algemada pela superstição e oprimida pelos cacarejadores asseclas da Velha e Maligna Igreja Católica.
Os velhos estandartes são apresentados na altura certa: Giordano Bruno é apresentado como um mártir da ciência, nobre e sábio, e não como o irritante místico "Nova Era" que ele era. Hipatia é apresentada como outra mártir deste tipo, e a mitológica destruição da Grande Biblioteca de Alexandria é falada num tom silencioso, apesar de ambas estas ideias serem totalmente falsas.
O incidente em torno de Galileu é apresentado como evidência dum cientista destemido a opor-se ao obscurantismo científico da Igreja, apesar do incidente ter tanto a ver com a ciência como com as Escrituras. E, como é normal, aparece sempre alguém a exibir um gráfico (ver mais embaixo), que eu dei o nome de "A Coisa Mais Errada de Sempre da Internet", e a mostrá-lo triunfalmente como se o mesmo fosse prova de algo que não do facto da maior parte das pessoas serem totalmente ignorantes da História, e incapazes de ver que algo como "Avanço Científico" nunca pode ser quantificado, e muito menos pode ser representado visualmente num gráfico.
Ciencia_Idade_Media_Segundo_Os_Ignorantes
Não é difícil pontapear este disparate e reduzi-lo a nada, especialmente porque as pessoas que o apresentam não só não sabem quase nada de História, como também tudo o que fazem é repetir ideias estranhas como esta que eles viram em sites e livros populares. Estas alegações entram em colapso mal tu as atacas com evidências sólidas.
Eu gosto de embaraçar por completo estes propagadores perguntando-lhes que me apresentem um - um só - cientista que foi queimado, perseguido, ou oprimido durante a Idade Média por motivos científicos. Eles são incapazes de me apresentar um único nome. Normalmente, eles tentam forçar Galileu de volta à Idade Média, o que é engraçado visto que ele foi contemporâneo de Descartes.
Quando lhes é perguntado o porquê deles serem incapazes de apresentar um único nome dum cientista que tenha sofrido por motivos científicos, visto que aparentemente a Igreja esta ocupada a oprimi-los, eles normalmente alegam que a Velha e Maligna Igreja fez um trabalho tão bom a oprimi-los que todas as pessoas passaram a ter medo de fazer ciência.
Quando eu lhes apresento uma lista de cientistas da Idade Média - tais como Albertus MagnusRobert GrossetesteRoger BaconJohn Peckham, Duns ScotusThomas BradwardineWalter BurleyWilliam HeytesburyRichard SwinesheadJohn DumbletonRichard de WallingfordNicholas OresmeJean Buridan e Nicolau of Cusa - e lhes pergunto o porquê destes homens levarem a cabo a sua actividade científica durante a Idade Média alegremente e sem terem sofrido qualquer tipo de interferência por parte da Igreja, os meus adversários frequentemente coçam as cabeças confusos sobre o que foi que correu mal.
A Origem dos Mitos
A forma como os mitos que deram origem "A Coisa Mais Errada de Sempre da Internet" surgiram encontra-se bem documentada em vários livros em torno da história da ciência. Mas Hannam inteligentemente lida com eles nas páginas iniciais do seu livro visto que seria provável que eles viessem a formar uma base que levasse muitos leitores do público geral a olhar com suspeição para a ideia dos fundamentos Medievais da ciência moderna.
Uma melange purulenta envolvendo a intolerância do Iluminismo, os ataques anti-papistas feitos por Protestantes, o anti-clericalismo Francês, e a arrogância Classicista, levou a que o período Medieval ficasse caracterizado como uma era de atraso e superstição - o oposto do que a pessoa comum associa com a ciência e com a razão.
Hannam não só mostra como polemistas tais como Thomas HuxleyJohn William Draper, e Andrew Dickson White - todos eles com o seu preconceito anti-Cristão - conseguiram moldar a ainda presente ideia de que a Idade Média foi uma era vazia de ciência e de conhecimento racional, como revela que só quando historiadores no verdadeiro sentido do termo se incomodaram em colocar em causa os polemistas através das obras de pioneiros na área, tais como Pierre DuhemLynn Thorndike, e o autor do meu livro sobre o astrolábio,  Robert T. Gunther, que as distorções dos preconceituosos começaram a ser corrigidas através pesquisas fiáveis e vazias de preconceito .
Esse trabalho foi agora completado pela mais recente gama de modernos historiadores da ciência tais como David C. LindbergRonald Numbers, e Edward Grant. Na esfera académica pelo menos a "Tese do Conflicto" duma guerra histórica entre a ciência e a teologia há muito que foi colocada à parte.
É, portanto, estranho que tantos dos meus amigos ateus se agarrem de forma tão desesperada a uma posição há muito morta que só foi mantida por polemistas amadores do século 19, em vez de se agarrarem às  pesquisas apuradas levadas a cabo por historiadores objectivos e actuais, e que cujas obras foram alvo de revisão por pares. Este comportamento é estranho especialmente quando o mesmo é levado a cabo por pessoas que se intitulam de "racionalistas".
Falando em racionalismo, o ponto crucial que o mito obscurece é precisamente o quão racional a pesquisa intelectual foi durante a Idade Média. Embora escritores tais como Charles Freeman continuem a alegar que o Cristianismo matou o uso da razão, a realidade dos factos é que graças ao encorajamento de pessoas tais como Clemente de Alexandria e Agostinho em favor do uso da filosofia dos pagãos, e das traduções das obras de lógica de Aristóteles, e de outros feitas, por Boécio, a investigação racional foi uma das jóias intelectuais que sobreviveu ao colapso catastrófico do Império Romano do Ocidente, e foi preservada durante a assim-chamada Idade das Trevas.
O soberbo livro God and Reason in the Middle Ages de Edward Grant detalha precisamente isto com um vigor característico, mas nos seus primeiros 4 capítulos Hannam faz um bom resumo deste elemento-chave. O que torna a versão histórica de Hannam mais acessível do que a de Grant é que ele conta-a através das vidas das pessoas-chave da altura - Gerbert de Aurillac, Anselmo, Guilherme de Conches, Adelardo de Bath, etc.
Algumas das pessoas que fizeram uma avaliação [inglês: "review] do livro de Hannam qualificaram esta abordagem de um bocado confusa dado que o enorme volume de nomes e mini-biografias podem fazer com que as pessoas sintam que estão a aprender um bocado sobre um vasto número de pessoas. Mas dada amplitude do tópico de Hannam, isto é francamente inevitável e a abordagem semi-biográfica é claramente mais acessível que a pesada e abstracta análise da evolução do pensamento Medieval.
Hannam disponibiliza também um excelente resumo da Renascimento do Século 12 que, contrariando a percepção popular e contrariando "o Mito", foi efectivamente o período durante o qual o conhecimento antigo invadiu a Europa Ocidental. Longe de ter sido resistido pela Igreja, foram os homens da Igreja que buscaram este conhecimento junto dos muçulmanos e das Judeus da Espanha e da Sicília.
E longe de ter sido resistido e banido pela Igreja, o conhecimento foi absorvido e usado para formar a base do programa de estudo dessa outra grande contribuição Medieval para o mundo: as universidades que começavam a aparecer um pouco por todo o mundo Cristão.
Deus e a Razão
Deus_Razao_Ciencia_Idade_MediaO encapsulamento da razão no centro da pesquisa, combinada com o influxo do "novo" conhecimento Grego e Árabe, deu início a uma autêntica explosão de actividade intelectual na Europa, começando no Século 12 e avançando por aí em adiante. Foi como se o estímulo súbito de novas perspectivas e as novas formas de olhar para o mundo tenham caído em terreno fértil numa Europa que, pela primeira vez em séculos, encontrava-se em paz  relativa, era próspera, olhava para o exterior, e era genuinamente curiosa.
Isto não significa que as forças mais conservadoras e reaccionárias não tenham tido dúvidas em relação às novas áreas de pesquisa, especialmente em relação à forma como a filosofia e a especulação em torno do mundo natural e em torno do cosmos poderia afectar a teologia aceite. Hannam é cuidadoso para não fingir que não houve qualquer tipo de resistência ao florescimento do novo pensamento e da investigação, mas, ao contrário dos perpetuadores "do Mito", ele leva em consideração essa resistência mas não a apresenta como tudo o que há para saber sobre esse período.
De facto, os esforços dos conservadores e dos reaccionários eram normalmente acções de retaguarda e foram em quase todas as instâncias infrutíferas nas suas tentativas de  limitar a inevitável inundação de ideias que começou a jorrar das universidades. Mal ela começou, ela foi literalmente imparável.
De facto, alguns dos esforços dos teólogos de colocar alguns limites ao que poderia e não poderia ser aceite através do "novo conhecimento", geraram como consequência o estímulo da investigação, e não a sua constrição.
As "Condenações de 1277" tentaram afirmar algumas coisas que não poderiam ser declaradas como "filosoficamente verdadeiras", particularmente aquelas coisas que colocavam limites à Omnipotência Divina. Isto teve o interessante efeito de mostrar que Aristóteles havia, de facto feito alguns erros graves - algo que Tomás de Aquinas havia colocado ênfase na sua altamente influente Summa Theologiae:
As condenações e a Summa Theologiae de Aquinas haviam gerado um enquadramento dentro do qual os filósofos naturais poderiam prosseguir os seus estudos em segurança, e esse enquadramento havia estabelecido o princípio de que Deus havia decretado as leis naturais mas que Ele não Se encontrava limitado pelas mesmas. Finalmente, esse enquadramento declarou que Aristóteles esteve por vezes errado. O mundo não era "eterno segundo a razão" e "finito segundo a fé". O mundo não era eterno. Ponto final.
E se Aristóteles poderia estar errado em algo que ele considerava certamente certo, isso colocava em dúvida toda a sua filosofia. Estava assim aberto o caminho para que os filósofos naturais da Idade Média avançassem de forma mais firme para além das façanhas dos Gregos. (Hannam, pp 104-105)
E foi exactamente isso que eles passaram a fazer. Longe de ser uma era sombria e estagnada, tal como o foi a primeira metade do Período Medieval (500-1000), o periodo que vai desde o ano 1000 até ao ano 1500 é, na verdade, o mais impressionante florescimento da pesquisa e da investigação científica desde o tempo dos antigos Gregos, deixando muito para trás as Eras Helénicas e Romanas em todos os aspectos.
Com Occam e Duns Scotus a avançarem com a abordagem crítica aos trabalhos de Aristóteles para além da abordagem mais cautelosa de Aquinas, estava aberto o caminho para que os cientistas Medievais dos Séculos 14 e 15 questionassem, examinassem e testassem as perspectivas que os tradutores dos Séculos 12 e 13 lhes haviam dado, e isto com efeitos surpreendentes:
Durante o século 14, os pensadores medievais começaram a reparar que havia algo seriamente errado em todos os aspectos da filosofia Natural de Aristóteles, e não só naqueles aspectos que contradiziam directamente a Fé Cristã. Havia chegado o momento em que os estudiosos medievais seriam capazes de começar a sua busca como forma de avançar o conhecimento......enveredando por novas direcções que nem os Gregos e nem os Árabes haviam explorado. O seu primeiro avanço foi o de combinar as duas disciplinas da matemática e da físicas duma forma que não havia sido feita no passado. (Hannam p. 174)
A história deste avanço, e os espantosos estudiosos de Oxford que o levaram a cabo e, desde logo, lançaram as bases da ciência genuína - os "Calculadores de Merton" - muito provavelmente merece um livro separado, mas o relato de Hannam certamente que lhes faz justiça e é uma secção fascinante da sua obra.
Os nomes destes pioneiros do método científico - Thomas BradwardineWilliam HeytesburyJohn Dumbleton e o deliciosamente nomeado Richard Swineshead - merecem ser conhecidos. Infelizmente, a obscurecedora sombra "do Mito" significa que eles continuam a ser ignorados ou desvalorizados até mesmo em histórias da ciência recentes e populares. O resumo de Bradwardine do discernimento-chave que estes homens trouxeram para a ciência é uma das citações mais importantes da ciência inicial e ela merece ser reconhecida como tal:
[A matemática] é a reveladora da verdade genuína.....quem quer que tenha o descaramento de estudar a física ao mesmo tempo que negligencia a matemática, tem que saber desde o princípio que nunca entrará pelos portais da sabedoria. (Citado por Hannam, p. 176)
Estes homens não só foram os primeiros a aplicar de forma genuína a matemática à física, como desenvolveram funções logarítmicas 300 anos antes de John Napier, e o Teorema da Velocidade Média 200 anos antes de Galileu. O facto de Napier e Galileu serem creditados por terem descoberto coisas que os estudiosos Medievais já haviam desenvolvido é mais um indicador da forma como "o Mito" tem distorcido a nossa percepção da história da ciência.
Nicolas_OresmeSemelhantemente, a física e a astronomia de Jean Buridan e de Nicholas Oresme eram radicais e profundas, mas de modo geral, desconhecidas para o leitor comum.  Buridan foi um dos primeiros a comparar os movimentos do cosmos com os movimentos daquela que é outra inovação Medieval: o relógio. A imagem dum universo a operar como um relógio, imagem essa que passou a ser usada com sucesso pelos cientistas até aos dias de hoje, começou na Idade Média.
E as especulações de Oresme em relação a uma Terra em rotação mostra que os estudiosos Medievais alegremente contemplavam ideias que (para eles) eram razoalmente estranhas como forma de ver se funcionariam; Oresme descobriu que esta ideia em especial na verdade funcionava muito bem.
Dificilmente estes homens eram o resultado duma "idade das trevas" e as suas carreiras estão conspicuamente livres de qualquer tipo de Inquisidores e de ameaças de queimas tão amadas e sinistramente imaginadas pelos fervorosos proponentes "do Mito".
Galileu, Inevitavelmente.
Tal como dito em cima, nenhuma manifestação "do Mito" está completa se que o Incidente de Galileu seja mencionado. Os proponentes da ideia de que durante a Idade Média a Igreja sufocou a ciência e a racionalidade têm que empurrá-lo para a linha da frente visto que, sem ele, eles não têm exemplos da Igreja a perseguir alguém por motivos relacionados à pesquisa do mundo natural.
A ideia comum de que Galileu foi perseguido por estar certo em relação ao heliocentrismo é uma total simplificação dum assunto complexo, e um que ignora o facto do principal problema de Galileu não ser só que as suas ideias estavam em desacordo com a interpretação das Escrituras, mas também em desacordo com a ciência dos seus dias.
Ao contrário da forma como este assunto é normalmente caracterizado, nos dias de Galileu o ponto principal era o facto das objecções científicas ao heliocentrismo ainda serem suficientemente poderosas para impedirem a sua aceitação.
Em 1616 o Cardeal Bellarmine deixou bem claro para Galileu que se aquelas objecções científicas pudessem ser superadas, então as Escrituras poderiam e deveriam ser reinterpretadas. Mas enquanto essas objecções se mantivessem, a Igreja, compreensivelmente, dificilmente iria derrubar séculos de exegese em favor duma teoria errónea. Galileu concordou em só ensinar o heliocentrismo como um dispositivo de cálculo teórico, mas depois mudou de ideia e, num estilo típico, ensinou-a como um facto. Isto causou a que em 1633 ele fosse acusado pela Inquisição.
Hannam disponibiliza o contexto para tudo isto com detalhe adequado numa secção do livro que também explica a forma como o Humanismo do "Renascimento" causou a que uma nova vaga de estudiosos não só tenha buscado formas de idolatrar os antigos, mas também formas de voltar as costas às façanhas de estudiosos mais recentes tais como Duns Scotus, Bardwardine, Buridan, e Orseme.
Consequentemente, muitas das suas descobertas e muitos dos seus avanços ou foram ignorados, ou foram esquecidos (só para serem redescobertos independentemente), ou foram desprezados mas silenciosamente apropriados. O caso de Galileu usar o trabalho dos estudiosos Medievais sem reconhecimento é suficientemente condenador.
Na sua ânsia de rejeitar a "dialéctica" Medieval e emular os Gregos e os Romanos - que, curiosamente, e de muitas formas, fez do "Renascimento" um movimento conservador e retrógrado - eles rejeitaram desenvolvimentos e avanços genuínos dos estudiosos Medievais. Que um pensador do calibre Duns Scotus se tenha tornado primordialmente conhecido como a etimologia da palavra "dunce" é profundamente irónico.
Por melhor que seja a parte final do livro, e por mais valiosa que seja a análise razoavelmente detalhada das realidades em torno do Incidente de Galileu, tenho que dizer que os últimos 4 ou 5 capítulos do livro de Hannam passam a ideia de terem falado de coisas que eram demasiado complicadas de se "digerir". Eu fui capaz de seguir o seu argumento facilmente, mas eu estou bem familiarizado com o material e com o argumento que ele está a avançar.
Acredito que para aqueles com esta ideia do "Renascimento", e para aqueles com a ideia de que Galileu nada mais era que um mártir perseguido da ciência e um génio, a parte final do livro pode avançar duma forma demasiado rápida para eles entenderem. Afinal de contas, os mitos têm uma inércia muito pesada.
Pelo menos uma pessoa que reviu o livro parece ter achado o peso dessa inércia demasiado dura para resistir, embora seja provável que ela tenha a sua própria bagagem para carregar. Nina Powerescrevendo para a revista New Humanist, certamente que parece ter tido alguns problemas em deixar de parte a ideia da Igreja a perseguir os cientistas Medievais:
Só porque a perseguição não era tão má como poderia ter sido, e só porque alguns pensadores não eram as pessoas mais simpáticas do mundo, isso não significa que interferir no seu trabalho ou banir os seus livros era justificável nessa altura ou que seja justificável nos dias de hoje.
Bem, ninguém disse que era justificável; explicar como é que ela surgiu, e o porquê dela não ter sido tão extensa como as pessoas pensam, e como ela não teve a natureza que as pessoas pensam que teve, não é "justificar" nada, mas sim corrigir um mal-entendido pseudo-histórico.
Dito isto, Power tem algo que parece ser a razão quando salienta que "A caracterização de Hannam dos pensadores [do Renascimento] como 'reaccionários incorrigíveis' que 'quase conseguiram destruir 300 anos de progresso na filosofia natural' está em oposição com a sua caracterização mais cuidada daqueles que vieram antes." No entanto, isto não é porque a caracterização está errada, mas sim porque a dimensão e a extensão do livro realmente não lhe dão espaço para fazer justiça a esta ideia razoavelmente complexa, e, para muitos, radical. (...)
Deixando isso de parte, este é um livro maravilhoso, e um antídoto acessível e brilhante contra "o Mito". Ele deveria estar na lista de Natal de qualquer Medievalista, estudioso da história da ciência, ou de qualquer pessoa que tem um amigo equivocado que ainda pensa que as luzes da Idade Média eram acesas queimando cientistas.

domingo, 11 de maio de 2014

As origens demoníacas da tradução "Novo Mundo"

A Sociedade Torre de Vigia está bem familiarizada com o Pastor Johannes Greber e com a sua tradução do Novo Testamento visto que entre 1956 a 1983 ele citaram-no pelo menos 9 vezes nas suas publicações. Sete dessas citações foram de natureza positiva e foram usadas para apoiar a tradução da Sociedade de certas passagens (tais como João 1:1), e outras duas foram de natureza negativa visto que foram usadas para expor Greber como um espiritista que havia dependido do mundo espiritual para traduzir o Novo Testamento.

Bem ao estilo da Torre de Vigia, e enquanto pôde, a Sociedade usou o trabalho de Greber mas quando finalmente foram expostos, eles hipocritamente colocaram-no de parte.

Tudo começou em 1956 quando foi revelado que Greber era um espiritista que havia traduzido o Novo Testamento com a ajuda dos espíritos de Deus. O artigo diz, parcialmente:

Isto é o que Johannes Greber diz na introdução da sua tradução do Novo Testamento, protegida por direitos de autor em 1937: "Eu mesmo era um padre Católico, e até chegar aos meus 48 anos de idade, não acreditava na possibilidade de comunicar com o mundo dos espíritos de Deus. No entanto, o dia chegou em que involuntariamente tomei o meu primeiro passo rumo a tal comunicação e experimentei coisas que me abanaram até ao âmago da minha alma".

Mantendo a extracção Católica Romana, a tradução de Greber encontra-se circundada com uma cruz em folha de ouro sobre a sua capa dura....Claramente, os espíritos em quem Greber acredita ajudaram-no na sua tradução (15 de Fevereiro)

Expor Greber como um espiritista certamente que foi a coisa certa de se fazer, e, de facto, foi algo consistente com os ensinamentos da Sociedade ao longo dos anos. Na sua edição de 1965 do livro "Make Sure Of All Things, Hold Fast To What Is Fine", eles dizem, "A práctica de qualquer forma de espiritismo acarreta a desaprovação Divina" (p. 469) e, "Destruam objectos relacionados com prácticas espiritistas." (p. 470).

No livro de 1968 "The Truth That Leads To Eternal Life", eles dizem:

Uma das formas através da qual os espíritos malignos enganam os homens e as mulheres é através do espiritismo... A Bìblia avisa-nos para nos distanciarmos de todas as prácticas associadas ao espiritismo.... Deus condena todas as formas de espiritismo. (p. 61).

Finalmente, no seu folheto de 1978 com o nome de "Unseen Spirits, Do They Help Us? or Do They Harm Us?" eles escrevem, "No antigo Israel, Deus ordenou que qualquer pessoa que practicasse o espiritismo fosse apedrejada até à morte" (p. 30); e, "Segundo a Palavra Inspirada, Jeová Deus odeia tais prácticas independentemente da forma que elas assumam ou em que continente elas são encontradas" (p. 31).

E finalmente, "Se queremos a amizade e protecção de Jeová, temos que colocar de parte todas as ligações e associações com o espiritismo nas suas mais variadas formas. Isto inclui lançar fora qualquer objecto relacionado com o espiritismo". (p. 41)

É por demais óbvio que eles sabem dos perigos do espiritismo, mas, tal como dito previamente, esta não é a história toda. Seis anos depois de exporem Greber como espiritista, eles agiram como se nunca tivessem feito tal coisa, e revelaram Greber como um erudito Bíblico (um erudito Bíblico altamente necessário) como forma de apoiar a sua rendição de João 1:1 na sua Tradução do Novo Mundo. Foi no ano de 1962 que isto ocorreu, quando a Sociedade apresentou o folheto com o título de "The Word, Who Is He? According to John". Eles citam a tradução de Greber de João 1:1 como "e a Palavra era um deus" (p. 5) em vez de "e a Palavra era Deus." A nota de rodapé diz:

O Novo Testamento - Nova Tradução e Explicação. Baseada nos manuscritos mais antigos, por Johannes Greber...edição de 1937, a parte frontal desta tradução estando carimbada com uma cruz dourada.

Portanto, não há qualquer tipo de erro em torno disto; tanto o artigo 1956 da Sociedade Torre de Vigia, bem como este folheto, estão a usar a mesma edição do Novo Testamento de Greber (1937, com a cruz dourada na capa). De facto, 1962 foi um bom ano para a Sociedade citar Greber, o erudito Bíblico, visto que eles voltaram a citá-lo no dia 15 de Setembro de 1965 (p. 554).

Depois disto, Greber volta a ser citado na edição de 1965 de "Make Sure..." (p. 489), o mesmo livro onde eles lançam um aviso contra a práctica de espiritismo, para além de ser citado no seu livro de referências "Aid to Bible Understanding" (1971, p. 1134 e 1669) e em mais duas edições da Torre de Vigia (15 de Outubro de 1975, p. 640, e 15 de Abril de 1976, p. 231).

A contínua inconsistência foi tornada pública no princípio dos anos 80 à medida que os pesquisadores da seita descobriam quem Greber realmente era. Vários indivíduos começaram a escrever à Sociedade Torre de Vigia perguntando onde é que eles poderiam obter uma cópia do Novo Testamento de Greber. Embora a Sociedade soubesse a morada da "Johannes Greber Memorial Foundation", tal como confirmado por uma carta do dia 20 de Dezembro de 1980 da Sociedade para a Fundação, eles deram moradas e fontes falsas para o seu Novo Testamento.

Numa carta de Dezembro de 1981, eles [a Sociedade Torre de Vigia] deu a um inquiridor uma morada dum edifício que já não existia. Numa carta em resposta à carta do inquiridor, a Sociedade sugeriu que ele tentasse a sua sorte junto da "American Bible Society" em New York. Era óbvio que a Sociedade estava envolvida numa processo de encobrimento ["cover-up"]; eles não queriam que os seus leitores soubessem quem Greber realmente era.

Numa carta registada enviada do dia 6 de Outubro de 1982 (recebida pela Sociedade no dia 12 de Outubro de 1982, segundo o aviso de recebimento), este autor informou a Sociedade da morada da Fundação de Greber, para futura referência. Logo, não é surpreendente encontra na Torre de Vigia, sob a secção "Questões para os Leitores" o seguinte:

"Porque é que, nos anos mais recentes, a organização Torre de Vigia deixou de usar a tradução do antigo padre Católica Johannes Greber?"

"...tal como indicado na apresentação para a edição de 1980 do Novo Testamento de Johannes Greber, esta tradução dependeu do "Mundo Espiritual de Deus" para o esclarecer sobre a forma como ele deveria traduzir as passagens difíceis. Ela declara: 'A sua esposa, Emma, uma médium do mundo Espiritual de Deus, foi instrumental na entrega das respostas correctas por parte dos Mensageiros de Deus para o Pastor Greber.' A organização Torre de Vigia considerou impróprio o uso duma tradução que tem uma conexão tão próxima com o espiritismo." (1 April 1983)

A Sociedade sempre soube que estavam a lidar com um espiritista, mas como estavam desesperados por obter fontes que confirmassem a sua própria Tradução Novo Mundo, a tradução de Greber tornou-se num bem valioso para a Sociedade - o que causou o nascimento do encobrimento.

Segundo a resposta dada em cima, a Sociedade não soube que Greber era um espiritista até que obteve uma cópia do seu Novo Testamento e leu o que apresentação dizia sobre isso. Essencialmente, eles estão a dizer que a edição de 1937 não revelava essa informação sobre Greber. Esta modificação da verdade pode ser demonstrada comparando a sua resposta com o que eles escreveram sobre Greber na Torre de Vigia de 1956.

Para além do que a Sociedade revelou sobre Greber nesse artigo, a introdução da edição de 1937 declara:

Quem, portanto, quiser saber o que é verdade e o que não é verdade na Bíblia, tal como a temos actualmente, pode ficar a saber apenas através da única forma através da qual as pessoas do passado, tementes a Deus, buscaram a verdade, nomeadamente, através da comunicação com o mundo espiritual de Deus.

Na rara ocasião onde o texto anunciado como o correcto pelos espíritos divinos não pôde ser encontrado em nenhum dos manuscritos disponíveis actualmente, usei o texto tal como me foi dado por esses espíritos.


Obviamente, a Sociedade tinha ao seu dispor informação suficiente para determinar que Greber era um espiritista, tal como eles o afirmaram no seu artigo de 1956.

Será que a Sociedade Torre de Vigia tem sido desonesta?

domingo, 9 de setembro de 2012

A Inquisição e os ateus


Levando em conta a quantidade de vezes que este assunto é levantado durante conversas e debates online com ateus comuns, é curioso que o livro de Richard Dawkins “The God Delusion” falhe em detalhar os "horrores" da Inquisição Espanhola. O falecido Christopher Hitchens evitava falar neste assunto, tal como o evita Daniel Dennett. Só o palhaço da "razão", Sam Harris, é suficientemente néscio para engolir a lenda antiga à medida que ele tenta qualificar as inquisições colectivas como um dos dois "episódios mais sombrios da história da fé."

No dia 9 de Junho de 721 A.D., o Duque Odo de Aquitaine derrotou Al-Samh ibn Malik al-Khawlani perante as paredes da sitiada cidade de Toulouse. Esta batalha, seguida pelas vitórias do Rei Pelayo das Astúrias e de Carlos Martel nas batalhas de Covadonga e Tours, deu término a um século de uma espantosa e bem sucedida expansão islâmica."

Pelos 760 anos que se seguiram, as conquistas dos Umayyads na península espanhola foram gradualmente revertidas por uma sucessão de Reis Cristãos, um longo processo perturbado pelas usuais mudanças de alianças e variados graus de ambição e competência militar em ambos os lados da divisão religiosa.A “Reconquista” foi finalizada com a queda da Granada muçulmana em 1492 às mãos das forças castelhanas do Rei Fernando.

A Inquisição Espanhola, que começou no ano de 1481, não pode ser entendida sem primeiro se reconhecer o significado desta épica guerra de 771 anos entre Cristãos e muçulmanos pela posse da península espanhola. Aquilo que o berbere Gen. Tariq ibn Zayid conquistou em apenas 8 anos - ao serviço do califado Umayyad - requereu um período 100 vezes mais longo para reconquistar.

Devido a isto, nem o Rei Fernando II de Aragão, nem a Rainha Isabel de Castela se encontravam inclinados a ariscar qualquer possibilidade de ter que repetir este grande empreendimento. Isabel, em particular, estava preocupada com as histórias em torno dos conversos, alegados Cristãos que fingiam ter convertido do Judaísmo mas que ainda practicavam a sua antiga fé. Isto era perturbador uma vez que era razoável assumir que aqueles que mentiam acerca da sua conversão religiosa, mentiam também acerca da sua lealdade à coroa unida, e era temido que os Judeus se encontravam outra vez a encorajar os líderes muçulmanos a tentar a recaptura da al-Andalus, tal como eles o tinham feito na captura original, 8 séculos antes. (“Continua a ser um facto que os Judeus, quer tenha sido de forma directa ou através dos seus correligionários em África, encorajaram os Maometanos a conquistar a Espanha” The Jewish Encyclopedia (1906). Vol XI, 485.).

Foi instalada uma comissão de investigação e os relatórios foram verificados. Foi por esta altura que os monarcas espanhóis requisitaram ao Papa Sixtus IV que ele criasse um ramo da Inquisição Romana que reportaria à coroa espanhola. Inicialmente, o papa recusou, mas quando Fernando ameaçou deixar Roma entregue a si própria, na eventualidade dum ataque turcos, ele acedeu de modo relutante e no dia 1 de Novembro de 1478 ele emitiu a “Exigit Sinceras Devotionis Affectus”, uma bula papal que estabelecia uma inquisição no reino de Castela de Isabel."

Temos a tendência de ficar com a impressão de que o Rei Fernando estava menos do que profundamente preocupado com a ameaça potencial dos conversos, e que agiu principalmente como forma de satisfazer os pedidos da sua esposa, uma vez que ele prontamente fez uso da sua nova autoridade fazendo absolutamente nada durante os dois anos que se seguiram.

Foi então que no dia 27 de Setembro de 1480, os primeiros dois inquisidores, Miguel de Morillo e Juan de San Martín, foram nomeados, o primeiro tribunal foi criado, e no dia 6 de Fevereiro de 1481, seis falsos Cristãos foram acusados, julgados e queimados naquele que foi o primeiro auto de fé da Inquisição Espanhola.

O que é que aconteceu entre Novembro de 1478 e Setembro de 1480 que inspirou este súbito ímpeto de acção? Embora historiadores tais como Henry Kamen declarem-se confusos sobre o que pode ter provocado a coroa espanhola, o ímpeto mais provável foi o que ocorreu no dia 28 de Julho, três meses antes da decisão do Rei Fernando.

Uma navegação turca liderada por Gedik Ahmed Pasha atacou a cidade aragonesa de Otranto, tomando-a no dia 11 de Agosto. Mais de metade dos 20,000 habitantes foram chacinados durante o saque à cidade. O arqui-bispo foi morto na catedral, e um dos líderes militares foi cerrado em dois enquanto ainda se encontrava vivo. O mesmo aconteceu a um bispo com o nome de Stephen Pendinelli.

Mas o evento mais infâme foi quando foi dada aos homens capturados em Otranto a escolha de converter ao islão ou morrer. 800 mantiveram a sua fé Cristã e foram decapitados en masse num local hoje conhecido como a Colina dos Mártires. A armada turca prosseguiu o seu percurso atacando as cidades de Vieste, Lecce, Taranto e Brindisi, e destruindo a grande biblioteca em Monastero di San Nicholas di Casole antes de regressar ao território otomano em Novembro.

Não deixa de ser uma ironia histórica de proporções significativas que mais pessoas tenham morrido neste evento esquecido, que quase de certeza inspirou a Inquisição Espanhola, do que aquelas que morreram nas famosas chamas da Inquisição propriamente ditas. Apesar da reputação de ter sido uma das mais maldosas e letais instituições da história da humanidade, a Inquisição Espanhola foi uma das mais hunanas e decentes do seu tempo, e até uma que pode ser considerada a mais razoável, considerando as circunstancias
  • A Inquisição Espanhola não tentou converter ninguém ao Cristianismo.
  • Os Inquisidores não eram os psicóticos caracterizados por Dostoevsky e Edgar Allan Poe.
  • A tortura raramente foi usada, e só o foi quando haviam evidências suficientes que indicavam que o acusado estava a mentir.
  • O motivo principal que levou a existência duma Inquisição Espanhola foi o facto de Fernando e Isabel encorajarem os Judeus e os muçulmanos a converterem-se ao Cristianismo - em vez de pura e simplesmente expulsa-los a todos, como fizeram outros reinos europeus, .
À luz da sua reputação assombrosa, certamente que será uma surpresa para aqueles que acreditam que milhões de pessoas morreram durante a Inquisição Espanhola aprender que, durante os séculos 16 e 17, menos de 3 pessoas por ano foram condenadas à morte pela Inquisição através de todo o Império Espanhol - que se estendia de Espanha a Sicília e o Peru.

Historiadores seculares que tiveram acesso aos arquivos do Vaticano em 1998, descobriram que dos 44,674 indivíduos julgados entre 1540 e 1700, apenas 804 foram registados como sendo relictus culiae saeculari. O relatório de 763 páginas indica que apenas 1% dos 125,000 julgamentos registados durante toda a inquisição resultou numa execução por parte da autoridade secular. Isto significa que, durante toda a sua infame história de 345 anos, a temida Inquisição Espanhola foi, anualmente, menos 14 vezes menos fatal que as mortes infantis que ocorrem a andar de bicicleta.

Se, como a certa altura descreveu o historiador Charles LeaIf, a Inquisição Espanhola foi o absolutismo teocrático no seu melhor, somos levados a concluir que foi um testemunho bastante positivo em favor do absolutismo teocrático.

É um testemunho para os estranhos caminhos da história que a Inquisição Espanhola permaneça notória até aos dias de hoje, especialmente quando se sabe que os 6,832 membros do clero Católico assassinados em 1936 durante o Terror Vermelho da República Espanhola são o dobro do número de vítimas durante os 345 anos da inquisição.
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Resumindo, o número de vítimas Católicas causado pelos esquerdistas e pelos anti-Cristãos espanhóis em apenas 1 ano (1936), é superior ao número de vítimas da Inquisição Espanhola em 345 anos.

sábado, 14 de janeiro de 2012

10 mentiras usadas pelos Cristãos como desculpa para não partilharem a Fé

  1. Isso é trabalho para o pastor ou para o padre." - Segundo Efésios 4:11, o trabalho dele é equipar-te para que tu possas fazer o trabalho.


  2. Não sei o que dizer.” - Há muita informação disponível para quem quer evangelizar.


  3. Eu vivo o Evangelho através do exemplo da minha vida.” - Muito bem. Agora abre a boca e anuncia a Boa Nova.


  4. Estou à espera do momento certo.” - Não existe tal coisa. O Espírito Santo falou através de Paulo em 2 Timóteo 4:2 e disse: "Que pregues a palavra, instes, a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina."


  5. Não tenho o dom do evangelismo." - Muitas pessoas não possuem o "dom do perdão" mas mesmo assim são ordenadas a perdoar - até os inimigos.


  6. Eles podem-me rejeitar.” - Não. O Senhor Jesus disse que eles vão rejeitar o que tens para dizer. Pelo menos na maioria das ocasiões.


  7. Tenho mau hálito!” - Usa rebuçados para o hálito!


  8. Não sei como iniciar esse tipo de conversa." - Que tal "quais são as tuas crenças espirituais?"


  9. Tenho medo!” - Eu também. São Paulo também tinha. Todos os Cristãos têm medo, mas isso não pode servir de desculpa para não se evangelizar. Oremos a Deus para que Ele nos dê PODER lá do Alto - Efésios 6:19.


  10. Pode acontecer eles fazerem-me uma pergunta para a qual eu não tenho respostas." - Tu não precisas de saber todas as respostas; tu apenas tens que os apresentar Àquele que tem todas as respostas.

Fonte

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Mulher abandona marido para estar com "namorado" só para descobrir que "ele" era uma "ela""


Mulher casada que gastou mais de $10,000 num falso namorado, por quem foi alegadamente enganada em favor duma relação online, venceu a batalha em torno ver o assunto aos tribunais.

Paula Bonhomme foi seduzida com mensagens e emails provenientes do bombeiro imaginário que ela conheceu em 2005 em canais de conversação em torno da série de TV 'Deadwood'. O par enviou vários presentes um ao outro antes de Bonhomme terminar o seu casamento depois de planear ir viver com o seu novo amor.

Mas Bonhomme ficou devastada ao descobrir que 'Jesse Jubilee James' havia morrido de cancro no fígado no em 2006.

Os seus estupefactos amigos descobriram mais tarde que o bombeiro imaginário havia sido inventado por Janna St. James, uma mulher de meia-idade a viver em Chicago, Illinois.

O "par" nunca se havia encontrado em pessoa mas Bonhomme deixou o seu casamento e estava pronta a deixar a sua casa em Los Angeles, California, para ir viver com o "namorado" no Colorado.

A partir da sua casa, Janna St James havia criado uma complexa rede de personagens todas elas entrelaçadas na vida do bombeiro.

-Fonte-