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sábado, 19 de setembro de 2015

Pesquisas recentes podem confirmar que ninguém nasce ateu

E lá procurarão o Senhor, o seu Deus, e o acharão, se o procurarem de todo o seu coração e de toda a sua alma. - Deuteronómio 4:29
Por Joel Furches
Se por acaso uma criança perguntar aos seus pais o porquê do sol brilhar, a resposta mais rápida pode ser dizer-lhe que o sol brilha para nos dar luz ou para ajudar as plantas crescer. Subentendida nesta resposta, no entanto, está a suposição de propósito e design. A pergunta assume que o sol foi colocado lá por um motivo, e que a sua luz tem um propósito intencional - e não que os benefícios da sua luz são uma coincidência marginal dum processo natural.
Uma resposta mais analítica pode ser dizer que o sol brilha devido a um processo de fusão nuclear que produz prótons e ondas de luz tão intensas que eles chegam à Terra em quantidades suficientes para serem vistas. Claro que esta resposta explica o "como" o sol brilha, mas não explica o "porquê".
O facto das crianças parecerem estar construídas para fazerem perguntas em torno do "porquê", e o facto de pessoas de todas as áreas parecerem construídas para atribuir propósito e design às coisas do mundo natural é revelador.
sabedoria ateísta convencional declara que "todos nós nascemos ateus" - isto é, que nenhuma pessoa nasce a acreditar em Deus. Por outro lado, o reformador Protestante João Calvino alegou que todas as pessoas tinham um "sensus divinitatis", isto é, um sentido de Deus inerente. Mais tarde, o teólogo Cristão Alvin Plantinga alegou que a crença em Deus é "propriamente básica", isto é, que acreditar em Deus é tão fundamental como acreditar que nós existimos ou que o mundo externo e real - coisas que nós já acreditamos quando nascemos.
Este conceito de sensus divinitatis – que no passado se encontrava no domínio de teólogos marginais e Fundamentalistas Cristãos - está a receber confirmação por parte duma fonte pouco provável, nomeadamente, das pesquisas científicas.
Criança_VelaOs estudos que estão a ser levados a cabo estão a mostrar de modo gradual que a crença em Deus - ou algum outro aspecto geral do teísmo - pode estar embutida na própria essência das suposições humanas desde o momento de nascimento, e permanecer intacto, mesmo junto dos ateus.
No seu estudo de 2004 com o título de "Are Children ‘Intuitive Theists”, a Psicóloga Deborah Kelemen reuniu uma vasta gama de pesquisas que sugeriam que, começando na sua infância, as crianças têm uma suposição de que o mundo à sua volta foi criado, de que existe um propósito, e que as coisas dentro do mundo natural têm um design intencional. Assim diz Kelemen:
…embora as crianças não sejam totalmente indiscriminadas, elas exibem no entanto um viés geral que as leva a tratar os objectos e os comportamentos como existindo com um propósito, (Kelemen, 1999b, 1999c, 2003; but see Keil, 1992) e estão, de forma geral, inclinadas a olhar para os fenómenos naturais como intencionalmente criados, embora seja por parte dum agente não-humano. (Evans, 2000b, 2001; Gelman & Kremer, 1991).
No ano de 2011, num estudo de Oxford com o título de “Humans ‘predisposed’ to believe in gods and the afterlife", foi apurado que, através de toda a variedade de culturas, as pessoas não só estão instintivamente mais inclinadas para a crença em Deus, mas também numa natureza dualista - isto é, que os seres humanos são, ao mesmo tempo, seres físicos e seres não-físicos.
Os pesquisadores salientaram que o seu projecto não tinha como objectivo provar a existência de Deus ou algo que se pareça, mas apenas e só verificar se conceitos tais como deuses e o Além eram totalmente ensinados, ou se eram expressões básicas da natureza humana.
O estudo apurou que, independentemente da cultura, os instintos humanos tendiam a ser os mesmos quando o tópico eram os conceitos de Deus e do Além. Tal como a pesquisa de Kelemen, este estudo analisou as suposições fundamentais das crianças pequenas.
Foi perguntado às crianças se a sua mãe saberia o que se encontrava dentro duma caixa que ela não conseguia ver. As crianças com três anos acreditavam que a sua mãe e Deus sempre saberiam o que se encontrava dentro das caixas, mas quando as crianças atingiam os 4 anos de idade, as crianças começavam a entender que as suas mães não era omnipresentes e nem omniscientes. No entanto, as crianças podem continuar a acreditar em seres sobrenaturais omniscientes e omnipresentes, tais como um deus ou deuses.
Também os adultos foram examinados para ver que tipo de crenças instintivas eles poderiam ter.
Experiências envolvendo adultos .... sugerem que pessoas das mais variadas culturas instintivamente acreditam que alguma parte da sua mente, alma ou espírito, continua a existir depois da morte.
Acreditem ou não, este experiência alargou-se também até à secção ateísta da população. Num estudo de 2011 com o título de "Anger toward God: Social-cognitive predictors, prevalence, and links with adjustment to bereavement and cancer", pessoas que se identificam como ateístas foram testadas com imagens e palavras relacionadas com Deus. Em um número estatisticamente significativo, estas imagens e palavras desencadearam sentimentos de raiva. Raiva não contra a religião ou contra as religiões mas contra Deus.
Mais ainda, estudos sugeriram que até os cientistas ou os altamente racionais, quando forçados a responder rapidamente perguntas relativas ao "porquê", tenderão a dar respostas que sugerem intencionalidade e design na natureza (e não um processo mecânico). Neil Degrasse Tyson, cientista popular e a voz da imensamente bem sucedida  série "Cosmos", expressou sua frustração em relação ao termo "Ateu":
.... é estranho que a palavra "Ateu" exista. Eu não jogo golfe. Existe alguma palavra para os não-jogadores de golfe? Será que os não-jogadores de golfe se reúnem e avançam com estratégias? Existe alguma palavra para os não-practicantes de esqui? Será que eles se encontram e falam do facto de não practicarem esqui?
Eu não consigo fazer isso. Não me consigo reunir com outras pessoas para discutir o porquê de ninguém que está na sala acreditar em Deus.
No entanto, esta pesquisa pode sugerir o porquê do termo "Ateu" ser necessário. Segundo o Professor Roger Trigg, Co-Director do projecto,
Este projecto sugere que a religião não se limita a ser algo peculiar que algumas poucas pessoas fazem ao Domingo, em vez de irem jogar golfe. Conseguimos reunir um corpo de evidências que sugerem que a religião é u facto comum na natureza humana através de todas as sociedades.
Isto sugere que as tentativas de se suprimir a religião são muito provavelmente de curta duração visto que o pensamento humano parece enraizado em conceitos religiosos, tais como a existência de agentes sobrenaturais ou deuses, e a possibilidade de vida para além da morte ou antes da vida.
* * * * * * * 
Embora a natureza espiritual do ser humano seja um problema para os naturalistas, ela tem uma explicação Bíblica que está de acordo com as pesquisas:
Ele fez tudo apropriado ao seu tempo. Também colocou no coração do homem o desejo profundo pela eternidade - Eclesiastes 3:11
Uma vez que fomos criados por Deus, e visto que Deus Quer-Se dar a conhecer ao ser humano (Deut 4:29) faz sentido que Ele tenha construído o ser humano predisposto para o sobrenatural ("eternidade").
Por outra lado, a posição anti-científica e ilógica de que ser humano nada mais é que o efeito dum processo aleatório, natural, sem propósito, sem finalidade, não fornece as ferramentas necessárias para explicar a natureza humana.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Estudo revela que os religiosos são mais felizes

Por Thomas D. Williams, Ph.D.

Segundo um novo estudo levado a cabo pelo Austin Institute for the Study of Family and Culture, existe uma forte correlação entre a religiosidade e a felicidade pessoal. O estudo apurou que as pessoas que frequentam os cultos religiosos semanalmente são duas vezes mais susceptíveis de se descrevem como "muito felizes" (45%) que as pessoas que nunca tomam parte de cultos religiosos (28%).

Reciprocamente, as pessoas que nunca tomam parte de cultos religiosos são duas vezes mais susceptíveis de declarar serem "muito infelizes" (4%) do que as pessoas que frequentem cultos todas as semanas.

Baseando-se em pesquisas prévias, este estudo extenso dos adultos Americanos tinha uma amostra representativa de 15,738 Americanos com idades entre os 18 e os 60 anos.

O estudo indicou que não só a frequência religiosa, mas também a auto-declarada "religiosidade" e a "afiliação" religiosa se encontravam também associadas aos níveis de felicidade. No entanto, dos três indicadores, a frequência aos cultos tinha a mais elevada correlação com uma maior felicidade.

O estudo apurou que níveis mais elevados de frequência religiosa "vaticinavam uma maior satisfação de vida," mesmo depois de se levar em conta o quão importante a fé religiosa era na vida das pessoas.

A correlação entre a religiosidade e a felicidade era óbvia, mas as explicações para a ligação e as causas relacionais possíveis eram menos óbvias. Uma teoria sugere que o apoio social que as comunidades religiosas podem disponibilizar pode ser um factor que contribua para uma maior felicidade, visto que "os Americanos religiosos eram mais susceptíveis de se envolverem nas suas comunidades."

No entanto, mesmo aqui o estudo apurou que "aqueles que frequentam cultos religiosos regularmente eram mais felizes que os seus pares, mesmo tendo estes níveis similares de envolvimento na comunidade."

Estas estatísticas que associam a felicidade com a religiosidade têm-se mantido com o passar do tempo. Uma pesquisa semelhante levada a cabo há 10 anos atrás obteve resultados semelhantes, levando os pesquisadores a extrair as mesmas conclusões.

Quando em 2004 o General Social Survey perguntou  aos Americanos, "Você qualifica-se como muito feliz, bastante feliz, ou infeliz?" as pessoas religiosas eram duas vezes mais susceptíveis que os não-religiosos de dizer que eles eram "muito felizes" (43%-21%).

As pessoas seculares, ou aquelas que nunca frequentem os cultos religiosos, eram maciçamente mais susceptíveis de dizer que não eram pessoas felizes (21%-8%). (..)



sábado, 27 de setembro de 2014

O mito de que as religiões são a causa principal das guerras

Por Robin Schumacher (editado por Matt Slick)
Os ateus e os humanistas seculares frequentemente fazem a alegação de que a religião é a causa primária da violência e das guerras combatidas pela humanidade através da História. Sam Harris, um dos mais vocais defensores do movimento anti-religioso, afirma no seu livro The End of Faith que a fé a religião são "as mais prolíficas fontes de violência da nossa história."
Embora não se possa negar que campanhas tais como as Cruzadas e a Guerra dos Trinta Anos dependiam da ideologia religiosa, está incorrecto afirmar que a religião tem sido a causa primária das guerras. Mais ainda, embora não haja debate em torno do facto do islão radical ter sido o espírito por trás do 11 de Setembro, é uma falácia dizer que todas as confissões religiosas contribuem de forma igual sempre que a violência e as guerras de inspiração religiosa se fazem sentir,
Uma fonte interessante de verdade em torno deste assunto são os três volumes de Philip and Axelrod com o nome de Encyclopedia of Wars, que documentam cerca de 1,763 guerras que foram levadas a cabo no decurso da história humana. De todas estas guerras listadas, os autores categorizam 123 como havendo tido natureza religiosa, que são uns espantosos e extremamente baixos 6.8% de todas as guerras. No entanto, quando se subtraem as guerras levadas a cabo em nome do islão (66), a percentagem é cortada em mais de metade para 3.23%.
 Guerras_ReligiosasGuerras_Religiosas_Grafico
Isto significa que, exceptuando o islão, todas as confissões religiosas do mundo causaram menos de 4% de todas as guerras e conflitos violentos da Historia. Mais ainda, as religiões não tiveram qualquer papel nas maiores guerras que resultaram no maior número de mortos. Certamente que isto coloca em causa o argumento de Harris, certo?
A realidade dos factos é que as motivações não-religiosas, bem como as filosofias naturalistas, são responsáveis por quase todas as guerras da História. As casualidades humanas resultantes de guerras levadas a cabo por motivação religiosa nada são quando comparadas às casualidades resultantes de guerras cujos regimes nada queriam saber do que Deus dizia - algo ressalvado por R. J. Rummel no seu trabalho com o nome Lethal Politics and Death by Government:
Ditadores_Nao_Religiosos_Casualidades

 Rummel afirma:

Quase 170 milhões de homens, mulheres e crianças foram baleados, espancados, torturados, esfaqueados, queimados, esfomeados, congelados, esmagados, forçados a trabalhar até à morte, enterrados vivos, afogados, enforcados, bombardeados ou mortos de qualquer outra forma através da qual os governos infligiram a morte a cidadãos desarmados desamparados, ou a estrangeiros O número de mortos poderia concebivelmente ser 360 milhões de pessoas. Isto é quase como se a nossa espécie tivesse sido devastada por uma Peste Negra moderna. E de facto, foi, mas foi uma peste de Poder e não de germes.
As evidências históricas são bastante claras: a religião não é a causa primária das guerras.
Se a religião não pode ser culpada pela maior parte das guerras e da violência, então qual é a causa primária? A causa primária é a mesma que despoleta todos os crimes, actos de crueldade, perdas de vida, e todas as outras coisas. O Senhor Jesus disponibiliza resposta em Marcos 7:21-23:
Porque, do interior do coração dos homens, saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfémia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro, e contaminam o homem.
Tiago (obviamente) concorda com o que o Senhor diz, quando escreve: (Tiago 4:1-2)
DONDE vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; sois invejosos, e cobiçosos, e não podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque nada pedis
.....
Resumidamente, as evidências revelam que os ateus estão bastante errados no que toca às guerras que eles tanto menosprezam. O pecado, e não a religião (e certamente que não o Cristianismo), é a causa primária das guerras e da violência.
* * * * * * *
O que o Senhor Jesus Cristo nos revelou há quase 2,000 anos atrás, confirmou-se de forma gráfica e brutal nos regimes ateus do século 20: quanto mais o governo se afasta de Deus, mais susceptível ele é de se tornar genocida. Portanto, se os militantes ateus realmente se preocupam com as guerras e com a violência, tudo o que eles têm que fazer é garantir que os regimes dos seus países nunca adoptem o anti-Cristianismo, como filosofia dominante.
O governo é o maior genocida da história da humanidade, e desde logo, todos os "movimentos sociais" que apoiam o aumento do poder do governo na vida social, estão a pavimentar um caminho que pode acabar em genocídio. E temos a História para confirmar isto.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Hipatia e a ignorância histórica dos militantes ateus


Parece que alguns mitos pseudo-históricos sobre a História da ciência estão em vias de receber uma injecção no braço, muito graças a um novo filme com o nome "Agora", do realizador Chileno Alejandro Amenabar. Normalmente, eu ficaria contente por haver alguém que faz um filme centrado em eventos do século 5º (pelo menos um que não seja outra fantasia ao estilo do "Rei Artur"). Afinal, não se dá o caso de haver uma falta de histórias memoráveis dessa altura para contar. E normalmente eu ficaria ainda mais contente se eles se dessem ao trabalho de fazer as coisas de modo a que realmente tivessem a aparência do século 5º, em vez de assumirem que, como os eventos ocorrem dentro do Império Romano, todas as pessoas têm que andar de togas, ter cortes de cabelo e lorica segmentata. E eu ficaria especialmente contente se eles não só estivessem a fazer estas duas coisas, mas tivessem também Rachel Weisz no papel principal visto que ela é uma excelente actriz e, convenhamos, é bem bonita.

Então porque é que eu não estou contente? Porque Amenabar escolheu escrever e dirigir um filme em torno da filósofa Hipatia, e perpetuar alguns mitos veneráveis do Iluminismo ao transformá-los numa história em torno da ciência versus fundamentalismo.

Como ateu, claramente não sou fã do fundamentalismo - mesmo da variedade com 1500 anos (embora as manifestações modernas tendem a ser aquelas que nós temos que manter um olhar mais atento). E como um historiador da ciência amador, fico mais do que contente com a ideia dum filme que passa a mensagem de que, sim, havia uma tradição de pensamento científico antes de Mewton e de Galileu. Mas Amenabar pegou na (sem dúvida, fascinante) história do que ocorria em Alexandria durante a vida de Hipatia e transformou-a numa desenho animado, distorcendo a História durante este processo. 

O que se segue foi retirado da conferência de imprensa feita de forma a coincidir com a exibição do filme em Cannes esta semana:
Desempenhada pela actriz Britânica vencedora dum Óscar, Rachel Weisz, no filme Hipatia é perseguida pelo facto da sua ciência colocar em causa a fé Cristã, como também pelo facto do seu estatuto como uma mulher influente. Desde confrontos sangrentos até aos massacres, a cidade descende para um estado de contenda intra-religiosa, e os Cristãos vitoriosos viram as suas costas ao rico legado cientifico defendido por Hipatia.
Portanto, é-nos dada a teoria de que Hipatia foi vítima de perseguição e, assumo eu, morta por causa da "sua ciência . . . ao colocar em causa a fé Cristã". E porquê ter um filme com apenas um mito histórico quando se pode ter um filme com dois mitos históricos? "Agora" começa com a destruição da segunda Biblioteca de Alexandria, levada a cabo por Cristãos e por Judeus - depois da primeira famosa Biblioteca ter sido destruída por Júlio César.

Pelo menos ele fez o seu trabalho de casa de modo suficiente para se aperceber que o declínio da Grande Biblioteca foi um deterioramento longo e lento - e não um evento catastrófico singular. Mas mesmo assim, ele agarra-se ao mito de Gibbon de que uma turba Cristã foi de alguma forma responsável. E de uma forma inteligente, ele inventa uma "segunda biblioteca de Alexandria" de modo a que ele possa responsabilizar os Cristãos.

Naturalmente, tudo isto tem uma moral inevitável:
O director disse também que ele via o filme como uma parábola da crise na Civilização Ocidental. "Digamos que o Império Romano são os Estados Unidos de agora, e Alexandria é o que a Europa é hoje - a antiga civilzação e o antigo background cultural. E o império está em crise, crise que afecta todas as provincias. Estamos a falar duma crise social, crise económica, obviamente, e crise cultural. Algo não se ajusta na nossa sociedade. Sabemos que algo irá mudar - não sabemos bem o quê ou como, mas sabemos que algo está a chegar ao fim."
Os limites desta analogia não são bem claros. Se a Europa é Alexandria e os EUA são Roma, quem é Hipatia? E quem são os fundamentalistas assassinos? Suspeito que a resposta seja "os Muçulmanos". O artigo do jornal La Times sobre a exibição do filme parece ser dessa opinião:
O filme é ainda mais convincente quando Amenabar revela a civilização de Alexandria, outrora estável, a ser sobrepujada pelo fanatismo (provavelmente porque os zelotas Cristãos, barbudos e vestidos com robes pretos que roubam a Biblioteca e ocupam a cidade, terem uma inquietante semelhança com os ayatollas e os Talibás de hoje).
Por mais longe que Amenabar queira avançar com a sua parábola, a sua mensagem geral é clara - Hipatia era a racionalista e a cientista e foi morta por fundamentalistas que se sentiam ameaçados com o conhecimento e com a ciência; e isto deu início à Idade das Trevas.

HIPATIA O MITO

Não se dá o caso de haver algo de novo ou original nisto - há já algum tempo que Hipatia tem sido usada como uma mártir pela ciência por aqueles que não querem de maneira nenhuma estar associados com uma apresentação correcta da História. Tal como Maria Dzielska detalhou no seu estudo de Hipatia, na história e como mito, "Hipatia de Alexandria", virtualmente todas as eras desde a sua morte que ficaram a saber da história, apropriaram-se dela e fizeram as coisas de modo a que esta história servisse para algum propósito polémico.
Perguntam quem foi Hipatia e irão algo do tipo "Ela era aquela filósofa pagã que foi rasgada em pedaços por monges (ou, de uma forma mais geral, por Cristãos) em Alexandria, no ano de 415". Esta resposta padrão irá basear-se não em fontes antigas, mas sim em literatura histórica e de ficção . . . A maior parte destes trabalhos representam Hipatia como uma vítima inocente do fanatismo nascente do Cristianismo, e o seu assassinato como uma proibição da liberdade de investigação (Dzielska, p. 1)
Se alguém me perguntasse isto quando eu tinha 15 anos, provavelmente esta seria a minha resposta visto que eu tinha ouvido falar de Hipatia largamente graças ao astrónomo Carl Sagan e da sua série de TV "Cosmos". Ainda tenho um fraco tanto por Sagan como pela série "Cosmos" visto que - tal como muitos jovens da altura - despertou o meu amor não só pela ciência, mas para uma tradição humanista da ciência e pela perspectiva histórica do assunto que a tornou muito mais acessível para mim do que fórmulas secas.

Mas as popularizações de qualquer tópico podem criar impressões erradas, mesmo quando o escritor está bem seguro do seu material. E embora Sagan fosse, normalmente, bastante sólido na sua ciência, a sua história era distintivamente mais vacilante, especialmente quando ele tinha um ou mais carrinhos de mão para empurrar.

O capítulo final do livro "Cosmos" é onde Sagan empurra alguns carrinhos de mão. De modo geral, o seu objectivo era admirável - ele ressalva a fragilidade da vida e da civilização, faz algumas condenações à proliferação nuclear - muito relevante e bem sensível nas profundezas da Guerra Fria dos anos 80 - e faz um apelo racional e humanista para a conservação da visão a longo termo para a Terra, para o ambiente e para a nossa herança intelectual. É por esta altura que ele conta a história de Hipatia como uma parábola de advertência; uma história que ilustra o quão frágil a civilização é e o quão facilmente ela pode sucumbir perante as forças da ignorância e da irracionalidade.

Depois de descrever as glórias da Grande Biblioteca de Alexandria, ele nomeia Hipatia como a sua "última cientista". Ele ressalva então que o Império Romano se encontrava em crise e que "a escravatura havia enfraquecido a antiga civilização da sua vitalidade"; isto não deixa de ser um comentário curioso se levarmos em conta que o mundo antigo sempre se fundamentou na escravatura, o que torna difícil ver como foi que esta instituição subitamente começou a "enfraquecer" a sua "vitalidade" no século Quinto. Depois disto, ele chegou ao ponto principal da sua história:
Cirílo, o Arcebispo de Alexandria, despreza Hipatia devido à sua amizade próxima com o governador Romano, e porque ela era um símbolo de aprendizagem e ciência que se encontrava largamente identificada por parte da igreja primitiva com o paganismo. Correndo um grande risco pessoal, ela continuou a ensinar e a publicar, até que no ano 415, enquanto caminhava para o seu local de trabalho, foi emboscada por uma multidão fanática de paroquianos de Cirilo. Eles arrastaram-na para fora da sua carruagem, tiraram as suas roupas, e, armados com conhas de abalone, esfolaram a carne dos seus ossos. Os seus restos mortais foram enterrados, o seu trabalho destruído, e o seu nome esquecido. Cirílo foi santificado. (Sagan, página 366)

Palpito que não fui o único leitor impressionável que achou esta história comovente. Um leitor do estudo de Dzielska, que refuta a versão que Sagan propaga, escreveu um comentário esbaforido na Amazon.com onde declarou:
Cheguei ao conhecimento de quem foi Hipatia através da série de televisão "Cosmos", de Carl Sagan. Ela foi frequentemente representada como um pilar da sabedoria numa era de dogma crescente. Ao contrário de Sócrates, sabemos muito menos sobre ela, sobre a sua vida e os seus ensinamentos. Ela é lembrada precisamente como uma mártir que foi sacrificada e não executada por uma multidão Cristã literalista inspirada pelo "São" Cirílo visto que aparentemente ela era vista por parte de algumas figuras religiosos e políticas como uma ameaça para o Cristianismo e para a teologia.
Isto na verdade leva-me a questionar se eles chegaram a ler o livro de Dzielska.

Embora Sagan seja o mais conhecido propagandista da ideia de que Hipatia era uma mártir da ciência, ele apenas estava a seguir uma venerável tradição polémica que tem as suas origens no livro de Gibbon "Declínio e Queda do Império Romano":
Espalhou-se um rumor entre os Cristãos de que a filha de Theom era o único obstáculo para a reconciliação do prefeito com o arcebispo; e esse obstáculo foi rapidamente removido. Nesse dia fatal, na temporada de santa do Quaresma, Hipatia foi arrancada da sua carruagem, despida, arrastada para a igreja, e chacinada de forma desumana às mãos de Pedro o Declamador e uma tropa de fanáticos selvagens e impiedosos; a sua carne foi raspada dos seus ossos com conchas afiadas de ostras e os seus membros trémulos entregues às chamas.
Tal como Gibbon, Sagan faz uma ligação entre a história do assassinato de Hipatia com a ideia de que a Grande Biblioteca de Alexandria foi incendiada por outra multidão Cristã. De facto, Sagan apresenta os dois eventos como se eles tivessem sido subsequentes, declarando que "Os últimos vestígios [da Biblioteca] foram destruídos pouco depois da morte de Hipatia" (p. 366) e que "quando a multidão chegou . . . para incendiar a Biblioteca não havia ninguém para os impedir." (p. 365)

Nas mãos de Sagan e de outros, tanto a história de Hipatia como a destruição da Biblioteca são contos de advertência sobre o que pode acontecer se baixarmos a guarda e permitir que os fanáticos destruam os defensores e repositores da razão.

A GRANDE BIBLIOTECA E OS SEUS MITOS.

Sem dúvida que esta é uma parábola poderosa. Infelizmente, ela não está de acordo com a história tal como ela ocorreu. Para começar, a Grande Biblioteca de Alexandria já não existia durante a época de Hipatia. Não é bem claro quando e como ela foi destruída, embora o fogo causado pelas tropas de Júlio César em 48 Antes de Cristo seja a causa mais provável. É também bem mais provável que este e outros fogos tenham feito parte do longo processo de declínio e degradação da colecção.

Curiosamente, dado que sabemos tão pouco sobre ela, a Grande Biblioteca de Alexandria há já muito tempo que tem sido o foco de algumas fantasias bem criativas. A ideia de que continha 500,000 ou 700,000 livros é frequentemente repetida pelos escritores modernos sem qualquer ponta de espírito crítico, embora comparações com o tamanho de outras bibliotecas antigas e estimativas em torno do tamanho necessário para a contenção duma colecção de tais dimensões tornem tal cenário pouco provável. É bem mais provável que ela tivesse cerca de 1/10 dos livros, embora continuasse a ser, de longe, a maior Biblioteca do mundo antigo.

A ideia de que a Grande Biblioteca ainda existia no tempo de Hipatia e que, como ela, foi destruída por uma multidão de Cristãos, foi popularizada por Gibbon, que nunca deixou que a História perturbasse os seus ataques ao Cristianismo. Mas Gibbon tinha em mente um templo conhecido como Serapeum, que não era de todo a Grande Biblioteca. Parece que a dada altura Serapeum tinha uma biblioteca e esta era "filha" da antiga Grande Biblioteca. Mas o problema com a versão de Gibbon é que nenhum relato da destruição de Serapeum por parte do Bispo Teófilo em 391 AD faz menção duma livraria de qualquer livro, apenas a destruição de objectos pagãos e objectos de culto:
Após solicitação de Teófilo, Bispo de Alexandria, o Imperador emitiu uma ordem para a demolição dos templos pagãos da cidade; comandou também que isso fosse levado a cabo sob direcção de Teófilo. Aproveitando esta oportunidade, Teólfilo esforçou-se ao máximo para revelar os mistérios pagãos e causar a que eles fossem alvo de desprezo. Para começar, ele causou a que o Mithreum fosse limpo e exibiu ao público os símbolos dos seus mistérios sangrentos. Depois disso, ele destruiu o Serapeum, sendo os rituais sangrentos do Mithreum posteriormente caricaturados por ele; o Serapeum foi também revelado como cheio de superstição extravagante, e ele causou a que os falos de Príapo fossem transportados pelo meio do fórum. Depois de finalizado este distúrbio, o governador de Alexandria, e comandante supremo das tropas no Egipto, ajudou Teófilo na destruição dos templos pagãos (Socrates Scholasticus, Historia Ecclesiastica, Bk V)
Mesmo os relatos hostis ao Cristianismo, tal como o de Eunápio de Sardes (que testemunhou a demolição), não fazem qualquer referência a qualquer biblioteca ou a livros a serem destruídos. E Amiano Marcelino, que aparentemente visitou Alexandria antes de 391, descreve o Serapeum e menciona que, no passado, ele havia tido uma biblioteca, indicando que por altura da sua destruição já não tinha. A realidade dos factos é que, com não menos do que 5 fontes independentes a mencionar o evento, a destruição do Sarapeum é um dos eventos melhor certificados de toda a história antiga. No entanto, nada é dito sobre a destruição de qualquer livraria ao mesmo tempo que o templo era destruído.

Mesmo assim, o mito duma multidão Cristã a destruir a "Grande Biblioteca de Alexandria" é demasiado suculento para ser resistido por alguns. Devido a isso, o mito permanece como um esteio para a argumentação de que "o Cristianismo causou a Idade das Trevas", apesar deste alegação não ter qualquer tipo de suporte. Parece que Amenabar também não conseguiu resistir - e é por isso que uma das cenas iniciais do filme mostra uma ansiosa Hipatia lutando para salvar preciosos pergaminhos antes que uma multidão aos gritos empunhando cruzes irrompesse pela porta trancada para destruir a que foi chamada de "a segunda Biblioteca de Alexandria" (presumivelmente ele fala do Serapeum). Isto ocorre bem no princípio do filme, aparentemente preparando as coisas para um conflito entre a ciência e a religião que termina com o assassinato de Hipatia. Sagan, por outro lado, coloca a destruição da Biblioteca depois do seu assassinato.

Na verdade, parece que tal destruição nunca aconteceu nem durante a sua vida e nem depois da sua vida - e que toda a ideia simplesmente é parte duma parábola mítica.

A HIPATIA DA HISTÓRIA

A verdadeira Hipatia foi filha de Theon, que ficou conhecido pela sua edição dos "Elementos" de Euclides, e pelos seus comentários de Ptolomeu, Euclides e Arato. O ano do seu nascimento é normalmente identificado como 370 AD, mas Maria Dzielska alega que isto são 15-20 anos demasiado tarde e sugere que 350 AD como o ano mais acertado. Isto faria com que ela tivesse 65 anos quando foi assassinada e desde logo o seu papel provavelmente deveria ter sido desempenhado por Helen Mirren e não Rachel Weisz. Mas isso dificultaria a venda do filme.

Ela cresceu e passou a ser uma estudiosa renomeada por mérito próprio. Ela parece ter ajudado o seu pai na sua edição de Euclídes e na edição do "Almagesto" de Ptolomeu, bem como escrevendo comentários sobre a "Aritmética" de Diofanto e as "Cónicas" de Apolónio. Tal como a maioria dos filósofos naturais do seu tempo, ela adoptou as ideias neo-Platónicas de Plotino e como tal, o seu método de ensino cobriu uma vasta gama de pessoas - pagãos, Cristãos e Judeus. 

Existem algumas sugestões de que o filme de Amenabar caracteriza Hipatia como ateísta, ou pelo menos totalmente irreligiosa, o que é altamente improvável. O Neo-Platonismo adoptava a ideia duma fonte perfeita e primária chamada "O Tal" ou "o Bem", que, durante o tempo de Hipatia, estava em todos os aspectos totalmente identificado com o Deus do monoteísmo.

Ela era admirada por muitos e pelo menos um dos seus estudantes mais ardentes foi o Bispo de Sinésio, que lhe dirigiu várias cartas chamando-a de "mãe, irmã, professora, e além disso benfeitora, e quem quer que seja honrado por nome ou por acto.", afirmando que "ela é a professora mais reverenciada" e descrevendo-a como aquela "que legitimamente preside os mistérios da filosofia" (R. H. Charles, The Letters of Synesius of Cyrene). O cronista Cristão citado em cima, Sócrates Escolástico, também escreveu dela admiradoramente:
Havia uma mulher em Alexandria chamada Hipatia, filha do filósofo Theon, que fez coisas grandes na literatura e na ciência, chegando até a ultrapassar os filósofos do seu tempo. Havendo sido bem sucedida na escola de Plato e Plotino, ela explicou os princípios de filosofia para os seus ouvintes, muitos deles provenientes de zonas distantes como forma de receberem as suas instrucções. Devido ao seu auto-domínio e à sua maneira calma, que ela havia adquirido em conseqüência do cultivo da sua mente, ela aparecia regularmente em público na presença de magistrados. E ela nem se sentia envergonhada por se fazer presente numa reunião de homens. Porque devido à sua dignidade e virtude, todos os homens a admiravam mais.(Socrates Scholasticus, Ecclesiastical History, VII.15)
Se ela, então, era admirada de tal forma, e respeitada pelos Cristãos eruditos, como foi que ela veio a ser assassinada por uma multidão de Cristãos? E mais importante ainda, será que o seu assassinato estava de alguma forma relacionado com o seu amor à ciência?

A resposta encontra-se no jogo político do princípio do século Quinto em Alexandria, e a forma como o poder dos Bispos Cristãos estava a começar a invadir o poder das autoridades civis da altura. O Patriarca de Alexandria, Cirílo, havia sido o protegido do seu tio Teófilo e tinha-lhe sucedido no bispado em 412 AD. Teófilo havia já feito a posição de Bispo de Alexandria uma posição poderosa e Cirílo havia continuado a sua política de expandir a influência da posição, invadido de modo incremental os poderes e os privilégios do Perfeito da cidade. Por essa altura, o Perfeito da cidade era outro Cristão, Orestes, que havia assumido o lugar pouco antes de Cirílo se tornar bispo.

Orestes e Cirílo rapidamente entraram em conflito devido as acções linha-dura contra as facções Cristãs mais pequenas tais como os Novacianos e a sua violência contra a enorme comunidade Judaica de Alexandria. Depois dum ataque por parte dos Judeus a uma congregação Cristã e a um pogrom retaliatório contra as sinagogas Judaicas liderado por Cirílo, Orestes queixou-se ao Imperador mas o seu pedido foi rejeitado. A tensão entre os apoiantes do Bispo e os apoiantes do Prefeito escalaram ainda mais numa cidade conhecida pelo governo das multidões e pela violência de rua politicamente motivada.

Por acaso ou por escolha, Hipatia deu por si no meio desta luta pelo poder por parte de duas facções Cristãs. Ela era bem conhecida por parte de Orestes (e provavelmente por parte de Cirílio) como uma participante proeminente na vida cívica da cidade, e era vista por parte da facção de Cirílo não só como uma aliada política de Orestes, mas também como um obstáculo para qualquer tipo de reconciliação entre os dois homens.

As tensões aumentaram ainda mais quando um grupo de monges dum mosteiro remoto do deserto - homens conhecidos pelo seu zelo fanático mas não identificados como pessoas com sofisticação politica - vieram à cidade em massa, como forma de apoiarem Cirílo, e deram início a tumultos que resultaram na comitiva de Orestes a ser apedrejada, com uma das pedras a atingir o Prefeito na cabeça. Não sendo alguém que aceitasse tais insultos, Orestes mandou que os monges em questão presos e torturados, o que levou à sua morte.

Cirílo tentou explorar a tortura e a morte dos monges, alegando que esse evento nada mais foi que um martírio por parte de Orestes. Deste vez, no entanto, os seus apelos às autoridades Imperiais foram rejeitados. Furiosos, os seguidores de Cirílo (com ou sem o seu conhecimento) vingaram-se, agarrando Hipatia na rua, como seguidora política de Orestes, torturando-a até à morte como vingança.

De modo geral, os Cristãos olharam para este evento com horror e com repulsa com Sócrates Scholasticus demonstrando de uma forma bem clara os seus sentimentos:
Hipatia foi vítima de inveja politica que existia por essa altura. Uma vez que ela tinha conversas frequentes com Orestes, foi reportado de um modo calunioso entre a população Cristã de que era ela quem impedia Orestes de se reconciliar com o bispo. Devido a isto, alguns deles apressaram-se no seu zelo feroz e fanático, cujo líder era Pedro o declamador,  emboscaram-na enquanto ela voltava para casa, arrastaram-na da sua carruagem, levaram-na para a igreja chamada Caesareum onde eles a despiram e a mataram usando azulejos [conchas de ostras]. Depois de terem rasgado o seu corpo em pedaços, levaram os seus membros mutilados para um lugar chamado Cinaron, onde eles a queimaram. Este incidente não deixou de trazer vergonha, não só para Cirílo mas para toda a igreja Alexandrina. Porque certamente nada está mais afastado do espírito do Cristianismo do que a permissão de massacres, lutas e transacções deste tipo. (Socrates Scholasticus, Ecclesiastical History, VII.15).
O que é notável nisto tudo é que em parte alguma a sua ciência ou o seu aprendizado são mencionados, excepto como base do respeito que ela recebia de pagãos e de Cristãos.

Sócrates Scholasticus termina descrevendo as suas façanhas e a estima que as pessoas tinham por ela, afirmando "Até ela foi vítima da inveja política que existia por essa altura". Dito de outra forma, apesar da sua erudição e do seu conhecimento, ela foi vítima de jogos políticos. Não há qualquer tipo de evidência de que o seu assassinato estava de alguma forma relacionado com o seu conhecimento. A ideia de que ela foi uma espécie de mártir para a ciência é totalmente absurda.

HISTÓRIA VERSUS OS MITOS. E OS FILMES

Infelizmente para aqueles que se agarram à desacreditada "tese do conflito" da ciência e da religião perpétuamente em guerra, a história da ciência tem muito poucos mártires genuínos assassinados por mãos de religiosos intolerantes. O facto dum místico e dum maluco como Giordano Bruno ser reinventado como um livre pensador cientista revela o quão frágil é a tese desses "mártires da ciência", embora aqueles que gostam de invocar estes mártires possam ter uma recaída ao alegarem que "a Inquisição Medieval queimou cientistas", apesar do facto disso nunca ter acontecido. A maior parte das pessoas nada sabe da Idade Média, e como tal, este tipo de agitar de mãos é normalmente bastante segura.

Ao contrário de Giordano Bruno, Hipatia foi uma cientista genuína e, como mulher, ela foi certamente espantosa para o seu tempo (embora o facto de outra cientista pagã, Aedisia, ter practicado ciência em Alexandria uma geração depois sem sofrer qualquer tipo de problemas revela que Hipatia estava muito longe de ser única). Mas Hipatia não foi nenhuma mártir para a sciência, e a ciência não teve nada a ver com a sua morte.

Não se sabe ainda quanto do genuíno background politico envolta da morte de Hipatia Amenabar colocou no seu filme. Espera-se que, ao contrário de Carl Sagan, todo o clima político do seu assassinato não seja simplesmente ignorado e a sua morte não seja pintada como um acto puramente anti-intelectual por parte de pessoas ignorantes, raivosas contra a sua ciência e contra a sua erudição. Mas o que está mais ou menos claro a partir das suas entrevistas e da pré-publicidade do filme, é que ele escolheu enquadrar a história em termos Gibbonianos directamente do manual da "tese de conflicto" - a destruição da "Grande Biblioteca", Hipatia vítimizada devido ao seu conhecimento, e a sua morte como um prenúncio do início da "Idade das Trevas".

Como é normal, os intolerantes e os fanáticos anti-religiosos irão ignorar as evidências, as fontes e a análise racional e resolver acreditar no apelo que Hollywood faz aos seus preconceitos. Isto leva-nos a perguntar quem são os verdadeiros inimigos do conhecimento.

domingo, 25 de agosto de 2013

Ateus indignados com decisão legal que qualifica ateísmo como religião


A líder dum grupo ateu alegadamente encontra-se indignada com o facto do governo dos EUA lhes ter conferido estatuto de religião como forma de  obterem isenção de impostos. Pior ainda, ela está ainda mais furiosa com o facto ter ficado a saber que ela é considerada uma guia espiritual  (“pastora”) segundo a o código da “Internal Revenue Service”.
Nós não somos pastores,” afirmou Annie Laurie Gaylor, que lidera da “Freedom from Religion Foundation” ao The Blaze. Ela acrescentou ainda:
A organização não quer isenção de impostos se a mesma baseia-se em códigos legais que controlam os grupos religiosos. Nós teremos que dizer o óbvio  ao governo: nós não somos uma igreja.
A maior parte das pessoas aceitaria de bom grado o facto de pagarem menos impostos ao governo. O Departamento de Justiça deu entrada a um resumo no tribunal alegando que a senhora Gaylor é elegível para para a isenção, que lhe dá uma casa livre de impostos uma vez que ela lidera o grupo e  organizações ateístas podem receber alguns dos benefícios conferidos às igrejas.
Mas o grupo da senhora Gaylor deu entrada a um processo legal, alegando que a isenção de impostos do governo federal feita a grupos religiosos não se aplica a grupos ateus, e que a insistência do governo em fornecer esse benefício é análogo a uma casa premiada livre de impostos.
Em 2009, a senhora Gaylor e o marido, Dan Barker, foram inicialmente premiados com um subsídio de habitação do governo no valor de $15,000 por ano. Eles têm vindo a alegar que eles não merecem esse benefício uma vez que são ateus e orgulhosos por alegar não terem qualquer tipo de afiliação religiosa.
Segundo o Departamento da Justiça, o Budismo e o Taoísmo são afiliações que não acreditam em Deus mas são, mesmo assim, qualificadas como religiões e ilegíveis para recolher o benefício.
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A realidade dos factos é que o ateísmo é um sistema de crenças - quer eles tenham isenção fiscal ou não. A noção de que o ateísmo não é religião só porque defendem que Deus não existe é irrelevante porque o que constitui (ou não) uma religião vai mais além   da sua posição em relação à auto-evidente existência do Criador.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Dalai Lama e Sam Harris concordam: a religião não faz falta.

O Dalai Lama gerou uma discussão enorme esta semana ao escrever na sua página do facebook. que "a religião já não é algo adequado." Na 2ª-Feira passada, o líder budista tibetano, que tem 4,3 milhões de idiotastansospatos seguidores no Facebook, colocou o seguinte no seu mural:

As maiores religiões do mundo, com o seu ênfase no amor, na compaixão, na paciência, na tolerância e no perdão, podem e chegam a promover valores interiores. Mas a realidade do mundo actual mostra que fundamentar a ética na religião não é adequado. É por isso que estou cada vez mais convencido de que chegou o tempo para encontrar uma forma de espiritualidade e ética que está de todo para além da religião.

Como é normal em todas as argumentações morais que estão contra a Bíblia, o que o Dalai diz é auto-contraditório. Se "as maiores religiões do mundo" promovem "valores internos", e um desses valores é a certeza de que a religião é parte importante da vida do ser humano (perguntem a qualquer religioso), porque é que o Dalai diz que a religião não é adequada como forma de chegar a doutrinas éticas?

Para além disso, a crença de que a religião não é adequada, não é ela mesma uma doutrina ética? Se é, no que é que o Dalai a baseia? Na religião? Naquilo que o Dalai afirma deve ser a base para a ética? Para o Dalai saber que as religiões existentes não são adequadas para se determinarem as melhores opções éticas, ele tem que saber antecipadamente o que é eticamente válido e o que é eticamente inválido.

Em quê é que ele se baseia para usar essa outra ética contra a ética das "maiores religiões do mundo" ?

O post colocado no mural do Dalai Lama obteve mais de 4700 comentários e mais de 53,920 partilhas. Devido ao facto do Dalai Lama ser uma das figuras religiosas mais populares do planeta, as suas palavras gerou tema de discussão em torno das suas intenções.

Christian Piatt, que escreveu um post reaccionário com o título de "Será Que o Dalai Lama Quer Acabar com Todas as Religiões?", afirmou:

Uma coisa é quando filósofos, ateus e até pessoas religiosas periféricas apelam a uma reavaliação, mas quando o próprio Dalai Lama afirma o mesmo, isso é suficiente para me fazer parar e pensar se esta caminho pós-Cristão por onde caminhamos no Ocidente não parte duma tendência mundial que está a tomar conta do zeitgest mundial.

Não, não é uma vez que, a nível global, o Cristianismo está em explosivo crescimento. As palavras de Dalai Lama podem ter ouvidos atentos junto da minoritária elite ocidental, mas estas mesmas palavras serão recebidas com espanto pelo resto do mundo - mesmo junto dos budistas.

O Huffington Post reporta que a actualização do mural foi, na verdade, retirado dum excerto dum livro publicado pelo Dalai Lama no ano passado com o título de "Para Além da Religião: Ética Para Todo o Mundo." Nele, o líder budista alega que a ética secular é mais importante que a religião organizada quando se trata de lidar com os problemas de hoje.

Alguns sugerem que por "ética secular" Dalai Lama refere-se à ciência - uma área pela qual ele tem demonstrado interesse vincado nos últimos anos.

Geoge Dvorsky, escrevendo para a i09, relata:

O conselho do Dalai Lama é bastante familiar, um que ecoa os sentimentos avançados pelo ateu Sam Harris - que também alega que a ciência pode responder questões morais. O Dalai não é nenhum estranho no discurso científico, e tem desenvolvido um fascínio enorme oela neurociência em particular. É bem possível, portanto, que o seu pensamento se tenha alinhado com o de Harris.


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Esta notícia é boa para se usar contra os "Cristãos" e as "Cristãs" que têm o péssimo hábito de citar este homem como se as suas palavras tivesse algum tipo de autoridade moral. O povo do Tibete, que eu assumo ser um povo religioso (como a esmagadora maioria da humanidade o é), tem mesmo que procurar um novo líder porque o actual nada mais é que um esquerdista infiltrado.

Para além disso, convém perguntar ao Dalai? Será que o século 20 não foi suficiente para nós vermos os resultados da "ética secular" ? Mais de 500 milhões de abortos desde o inicio da década 80, 100 milhões de mortos pelo esquerdismo, 6 milhões mortos pelo nacional-SOCIALISMO, e muitos outros milhões mortos por ideologias racistas e supremacistas, mostram que a tal "ética secular" a que o Dalai se refere é um desastre.

Obviamente, isto não implica que não existam ideologias pseudo-religiosas causadoras de problemas. Para isso, basta ver o que os maometanos têm feito um pouco por todo o mundo. No entanto, antes do Dalai Lama querer excluir TODAS as religiões por motivos "éticos", ele tem que justificar essa ética na qual ele se baseia para excluir todas as religiões.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Brasileiros no exterior encontram força na religião para enfrentar dificuldades


O sonho de morar em outro país, vivenciar outra cultura e conhecer lugares famosos que estampam cartões postais, nem sempre é livre de dificuldades e percalços. Com isso, muitos imigrantes brasileiros em outros países acabam buscando na religião a ajuda e o conforto para os problemas enfrentados no dia a dia em um país estranho.

O jornal do SBT, de terça-feira (27), mostrou um pouco dos obstáculos que os brasileiros enfrentam por entrarem em uma terra distante.

Em Londres, na Inglaterra, por exemplo, são muitas as diferenças do Brasil: o idioma, lugares não conhecidos, dirigir pelo lado direito, e mesmo características comportamentais , trazem dificuldades de adaptação.

O brasileiro Frederico Camdo, que mora na Inglaterra há mais de 10 anos, conta que no início sentiu a barreira do idioma. Ele trabalhava em um restaurante e quase chegou a ser demitido por não falar fluentemente o inglês.

A vida e o caminho difícil a ser trilhado faz com que os imigrantes procurem uma igreja ou congregação para terem algum apoio durante sua estadia.

“A maioria vem com um sonho e eles pensam que vai ter um tapete vermelho os esperando. Quando eles encaram a realidade – pessoas com cara fechada, dificuldades no trabalho e com a língua, tudo isso faz com que procure algum apoio”, diz o pastor Edmilson Bueno, de uma congregação em Londres.

Os cultos em inglês, na sua maioria, possuem tradução simultânea, o que atrai os que falam somente português. Os frequentadores são na maioria brasileiros, mas portugueses, angolanos e moçambicanos também marcam presença.

Segundo um frequentador que não se identificou, a “presença nos cultos é uma forma de se sentir seguro, acolhido, fazer novas amizades.”

France Sales desembarcou na Inglaterra com o sonho de ser jogador de futebol. Decepcionado com o objetivo não realizado, ele saiu do isolamento em que vivia frequentando um culto evangélico. “Aqui tive um encontro com Deus e fiz amigos, pois todos são brasileiros”, revelou.

Segundo o Conselho de Pastores da Inglaterra, há 104 igrejas evangélicas com cultos em português em todo o país. Ao todo, já são contabilizados 30 mil brasileiros. Estimativas ainda apontam que de cada 10, pelo menos sete brasileiros se converteram no exterior.

Jussara Teixeira


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quinta-feira, 19 de maio de 2011

O aumento do ateísmo é moda ou é alarmante?

Foi-me feita a seguinte pergunta no FormSpring:
"Esse crescente aumento do ateismo é só "modinha", ou realmente é preocupante?"
Sinceramente, não sei. Mas, visto que o ser humano é normalmente religioso, eu acho que, mesmo que os militantes ateus consigam destruir o Cristianismo no ocidente, isso não vai imediatamente significar que os ocidentais vão ser todos ateus.

O que vai acontecer é que o paganismo (que foi destruído pelo Cristianismo) vai preencher o vazio deixado pelo Cristianismo.

O ateísmo nunca vai ser a crença dominante e maioritária em parte alguma do mundo uma vez que o ateísmo suprime uma parte importante da existência humana: a espiritualidade.

Embora uma minoria possa fingir que vive "bem" assim, a maioria vai procurar alternativas espirituais. Infelizmente, sem o Deus Verdadeiro, as alternativas costumam ser todas elas auto-destrutivas (hedonismo, paganismo, ocultismo, islamismo, etc).

http://darwinismo.wordpress.com/2011/05/17/religiosidade-faz-parte-da-natureza-humana/

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Religiosidade diminui dramaticamente probabilidade de actividade sexual entre adolescentes

by Matthew Cullinan Hoffman

January 5, 2011 (LifeSiteNews.com) - Higher levels of religiosity in adolescents dramatically increase the probability that they will remain virgins during high school and college, a new study has concluded.

The study, entitled “Religiosity, Self-Control, and Virginity Status in College Students from the ‘Bible Belt’,” and published in the September 2010 Journal for the Scientific Study of Religion, found that for every unit increase on its scale of religiosity, the odds of a male remaining a virgin increased by a factor of 3.86. For a female, the odds jumped by a factor of 4.13.

The study also found similar effects for oral sex. Odds of delayed initiation of oral sex jumped by 3.30 and 2.60 for men and women respectively.

To determine “religiosity,” the study asked participants to rate their frequency of religious service attendance, frequency of prayer, frequency of reading of religious texts, and the importance of religion in their lives. In order to find sufficiently high numbers of religiously involved youth, the study examined universities in the Southern “Bible Belt” region.

Other statistics mentioned in the study belie the oft-repeated claim by pro-abortion and pro-contraception organizations that adolescents will inevitably engage in sexual activity. Nationally, 53% of high schoolers remain virgins at the end of their senior year, and although the national statistic drops precipitously for college students, the study found a rate of 40% in its “Bible Belt,” schools, where young people are much more likely to come from religious backgrounds. In private religious universities, that number rose to 47%.

The most disturbing result for advocates of sexual morality was the percentage of college students who had engaged in oral sex: 73.5 percent, reflecting a national trend among adolescents of avoiding the consequences of natural sexual intercourse by participating in unnatural behavior.


Related Links:

Religiosity, Self-Control, and Virginity Status in College Students from the “Bible Belt”