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domingo, 4 de junho de 2017

A quem pertence o ónus da prova: aos ateus ou aos teístas?

Por Mark Harrison

Tanto ateus como teístas estão a avançar com uma hipótese, e como tal, ambos têm o ónus de demonstrar que a sua hipótese está correcta. O ónus da prova é a obrigação das partes em discussão de disponibilizar motivos suficientes em favor da sua posição (...). O ónus da prova só existe quando qualquer uma das partes quer convencer a outra - isto é, quando as duas posições entram em disputa.

Algumas pessoas alegaram que "ausência de Deus" é uma hipótese nula, e que, portanto, não exige qualquer tipo de prova. Eu diria, no entanto, que, dado o número de pessoas que acreditam que Deus existe, independentemente da "equipa" que defendam, claramente existe uma disputa e como tal, não só quem quer convencer o outro tem o ónus da prova, mas também o argumento "a minha posição não requer qualquer tipo de prova" é falso.

Isto parece ser aceite pela maioria dos teístas e rejeitado pela maioria dos ateus. A maior parte dos teístas, e por motivos inerentes ao seu sistema de crenças (pelo menos no islão e no Cristianismo), quer evangelizar o que, consequentemente, lhes coloca na posição de ter o ónus da prova. A maior parte dos ateus, e como consequência dos seus sistemas de crença, não sente essa obrigação, e como tal, como eles não estão a tentar convencer ninguém de nada, eles não têm o ónus da prova.

No entanto, existe uma minoria de ateus que, e por falta de um termo mais apropriado vou-lhes chamar de "ateus evangélicos", adoptou a posição de que as outras pessoas deveriam ser convencidas de que Deus não existe. Ao adoptarem esta posição, eles criam para si mesmos o ónus da prova. Portanto, o argumento de que os teístas têm o ónus da prova é bastante sólido. A questão prende-se, portanto, se os "ateus evangélicos" têm ou não o ónus da prova.

Mencionei em cima que alguns alegam que, visto que a hipótese "ausência de Deus" é uma hipótese nula, ela não tem ónus da prova. Para examinarmos isto com uma analogia, tomemos como exemplo um Europeu do século 16 a perguntar: "Será que cisnes pretos existem?" Por milhares de anos, o peso das evidências parecia estar do lado da afirmação de que todos os cisnes eram brancos.

Devido a isto, a afirmação "cisnes pretos não existem" parecia ser uma proposição fundamentada nas evidências à nossa disposição. Por essa altura parecia que o ónus da prova estava do lado daqueles que alegavam que a frase "Cisnes pretos não existem" era falsa visto que a não-existência de cisnes pretos era "óbvia" pela ausência de evidências em favor da sua existência.

No entanto, em 1697, o "cygnus atratus" - uma espécie de cisne preto que só existe na Austrália - foi pela primeira vez visto por um Europeu. Consequentemente, desde a Era do Iluminismo que a ciência se movimentou gradualmente em favor da conclusão de que qualquer declaração que se queira que os outros concordem tem o ónus da prova sobre si. Há, portanto, uma diferença entre "X não existe" e "não temos evidências convincentes de X".

Existem muitos ateus que simplesmente dizem "não temos evidências de que Deus existe". Considero esta uma posição perfeitamente razoável [sic], e não creio que quem a defenda tenha o ónus da prova. No entanto, os "ateus evangélicos" [aqueles que querem convencer os outros de que Deus não existe] têm sobre si o ónus da prova.


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A nova definição de "ateísmo" como uma mera "ausência de crença" é precisamente uma vá tentativa de evitar ter que oferecer algum tipo de argumento em favor da irracionalidade que é o ateísmo. Mas o "curioso" é que as pessoas que dizem nada mais ter que uma "ausência de crença" são essencialmente as mesmas que afirmam dogmaticamente que "Deus não existe". Quem já participou em grupos de discussão com ateus sabe como eles dançam entre estes dois pensamentos, esperando que nenhum Cristão os chame a atenção.

Basicamente eles refugiam-se de qualquer escrutínio afirmando nada mais ter que uma "ausência de crença" ao mesmo tempo que forçam os Cristãos a ter que disponibilizar evidências para algo que eles estão determinados a não aceitar. Eles, tal como os evolucionistas na questão criação-vs-evolução, evitam o confronto quando sentem que podem perder, mas querem avançar com o mesmo quanto têm a fé de que podem vencer.

Mas a parte boa de se ser Cristão, para além da paz actual e a certeza da salvação, é que todos os argumentos que os "ateus evangélicos" levantam contra a Verdade Bíblica são auto-refutantes visto que a capacidade humana de pensar em termos abstractos, filsóficos e morais claramente refuta a noção de que o homem nada mais é que um amontoada de células totalmente controlado pelas "forças naturais".

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